O Amor de si

Por que amar a si mesmo?
Para começar, o que é amar-se? Essa é uma questão muito negligenciada e com graves consequências. Ninguém erra se diz que amar é querer o bem – e isto, no caso, começa com o preservar-se. É bem fácil compreender que a Natureza nos dotou com instinto de autopreservação. Em pessoas normais e saudáveis, submetidas a um ambiente natural esse instinto está ativo, fortalecido e funcional, ou seja, qualquer pessoa está em condições de preservar-se a si mesma e daí, a socializar e a defender seus membros, igualmente. Qualquer alteração nesse instinto primário significa um risco de extinção pessoal e coletiva.
A atual civilização tem por meta destruir completamente a base orgânica e psíquica que dá suporte a autopreservação. A pseudociência por um lado e sua associada, a religião, por outro. Na medida em que se retira da pessoa a obrigação de preservar-se e mais, ela lhe é impedida, seu organismo, com todas as suas funções, serão alteradas e todos se tornarão dependentes, submissos ao sistema que promete soluções e comanda a sociedade.
As ideias, as narrativas de gostar de si, de se amar são, geralmente, meras palavras sem significado real. Quem se prejudica, que não conhece suas reais necessidades, funções e lugar no mundo, está apenas imaginando e se iludindo com frases feitas que servem para fins de sugestionar.
O ponto aqui é que não há nada externo que seja um guia seguro na preservação. Somente o instinto de vida pode dar, a cada um, a direção correta. Como toda a doutrina biológica e social atual foi construída sobre falsas premissas – a da competição, da sobrevivência do mais forte e apto, se passou a acreditar que para viver, o vizinho deve ser aniquilado, subjugado, dominado.

Na verdade, a vida, toda ela, está apoiada e depende da cooperação, da harmonia e equilíbrio. Esse estado artificial permanente de guerra, de vencer o outro, por outro lado, nada tem a ver com o amor de si, com a autopreservação. De fato, ele o impede e altera todo o ambiente que o permite. A vida foi tão profundamente alterada que o seu fundamento se perdeu e coisas artificiais e pervertidas lhe substituíram. Ou seja, o homem comum não tem mais as bases reais sobre as quais apoiar sua vida e se deixa conduzir pelos inimigos travestidos de amigos.
A não ser por um período de menos de duas décadas, os humanos estão sob a tutela de seus pais. Depois, seu instinto e experiência os levam a assumir o controle total de suas vidas. Isso é absolutamente necessário. Sua moral, seus sentimentos, sua inteligência se desenvolvem exclusivamente por esse viver desde dentro, de seus instintos e educação paternal. Ele então, compreende seus instintos, suas funções, seu lugar no mundo e seu objetivo. É claro e óbvio, que pais neuróticos e incapazes, impedirão o desenvolvimento natural e necessário de seus filhos – e assim é com a maioria.
Se constituir indivíduo é ser único e isso exige amar-se. É esse o amor que, exclusivamente, pode ser estendido aos outros. Quem não se ama, verdadeiramente, não faz o bem para si e não fará para ninguém.
A vida como uma luta pela sobrevivência, como uma competição e guerra a tudo e a todos é um sinal inequívoco da degradação da civilização.
Se deixar conduzir por outros é fatal, é contra a saúde, a vida, a evolução. Conviver, viver em sociedade só é possível em e com pessoas normais, autônomas. Entretanto, as regras e hierarquias artificiais são contrárias à vida e constroem ódio, medo, desconfiança, fraqueza e violência. Toda a associação deve ser voluntária, consciente e, portanto, uma decisão pessoal. Forçar a convivência e as relações destrói completamente o humano. É evidente que as relações humanas por pessoas incompletas e neuróticas são inteiramente falsas e muito perigosas.
Tudo isso apenas toca um tema complexo e fundamental, para dizer que uma pessoa só pode amar o próximo na medida em que ama a si mesmo. Não há outro caminho!

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