“FAÇA-SE A TUA VONTADE, ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU”!


A ideia semeada pelas religiões oficiais exotéricas de que o Céu seria alcançado somente após a morte e cumpridas certas exigências, parte não só de um entendimento limitado e impróprio como nos autoriza a pensar que isso é deliberado e malicioso.
Por que?
Essa frase da Oração ao Senhor diz, precisamente e inequivocamente, que a Vontade de Deus NÃO se cumpre na Terra. Isso tem muitas implicações importantes. Ela não diz, entretanto, que a vontade de Deus jamais se cumprirá na Terra e nem, de maneira nenhuma que ela não se cumpriria dentro, no interior, na porção invisível de uma pessoa, agora!
O exoterismo, próprio das religiões oficiais, nivela e impõe às revelações a psicologia apoiada e construída pelos sentidos, atribuindo ao Evangelho uma interpretação tosca e limitada do mundo de aparências, e a lógica simples e apoiada apenas no alcance deles – dos sentidos. O esoterismo, por outro lado, não se limita ao mundo material alcançado pelos sentidos e sua lógica, mas introduz o princípio da relatividade o qual, entre outras coisas, nos diz que a mente lógica não é adequada para receber esses ensinamentos superiores. Uma nova mente e compreensão são necessárias – estamos incompletos, atualmente – e podemos, devemos nos completar – precisamos “nascer de novo”, precisamos de um novo corpo, que não é acessível aos sentidos.

Ainda, e derivada dessa abordagem além do mundo de aparências, o drama do Mestre Jesus e seus ensinamentos se referem as instruções e condições necessárias à uma mudança e elevação interior e não a uma salvação onde o Céu é um lugar a se chegar após a morte. Portanto, todas as passagens são não somente simbólicas, mas têm vários níveis de compreensão possíveis e se referem a cada pessoa, ao mundo invisível e pessoal e não a coisas externas, lugares e situações coletivas – são ensinamentos cujas consequências são pessoais e intransferíveis. Não há, portanto, nenhuma possibilidade de uma salvação vicariante pelo sangue derramado na cruz onde, após a morte, as pessoas poderiam chegar a um lugar chamado Céu!

Dizer, “eu creio” no Salvador é, em geral, uma coisa superficial, apoiada em “milagres”, em esperança, em superstição e não em algo real e pessoal.
Não pode haver nenhuma dúvida de que as situações trazidas pelo Evangelho são simbólicas, estão numa linguagem desconhecida, e se referem a cada um de nós, ao homem interior invisível e não a nada do mundo como revelado pelos sentidos.
A frase, “deixe que os mortos enterrem seus mortos” não pode, ao lado de centenas de outras, ser tomada literalmente e, se essa é assim, em dezenas de dezenas de parábolas e milagres, tudo o mais também o é.
Obviamente, que a “Terra” e o “Céu” trazidos pelo Evangelho, não são lugares onde vivemos agora e/ou que iremos após a morte, mas ESTADOS INTERIORES. Estados psíquicos mais elevados ou menos elevados.


Ao sugerir para as pessoas que Céu é um lugar a ser alcançado no futuro, somente pela morte, fica explícito que podemos compreender o Ensinamento tal como nos encontramos e que iremos para esse Céu nas condições limitadas de compreensão e percepção atuais. Daí decorre que ao aceitar e se submeter aos dogmas, rituais e iniciações da religião exotérica, tudo estaria resolvido – você já tem o lugar “Céu” garantido quando morrer! Ora, isso é um obstáculo para o crescimento, para procurar, para fazer o esforço interno e, uma promessa vã.
Se Deus é espírito e está dentro e acima, o lugar a ser trabalhado, purificado e edificado está no interior de cada um, aqui e agora, porque tem a ver com estados psíquicos e não com TEMPO, prestígio, coisas materiais, ou mesmo obras, se essas são feitas na ignorância e na esperança e promessa do Céu!
O mundo, a Terra e a vida nela é um meio para um fim maior e esse, não está no futuro depois da morte, mas aqui, nesse momento, no eterno que une tudo. Ao sugerir que há um futuro mítico chamado de Céu ao morrer, as religiões exotéricas impedem esse movimento para dentro e para cima e fazem, de toda a obra divina, do Mestre, em algo tolo e supersticioso, tirando de cada pessoa a possibilidade de entrar no Caminho, na Vida (Alma) e alí, encontrar a Verdade.
É esse estado interior chamado de “Céu” que importa realizar (onde a Vontade de Deus se cumpre), o qual está acima, infinitamente, do estado Terra, onde a Vontade de Deus não se cumpre!

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