Os Sentidos e a Realidade


O mundo que nos revelam os sentidos e a mente construída dentro das limitações da nossa percepção, com sua lógica linear, sim/não, preto/branco, claro/escuro, quente/frio, esquerda/direita, verdadeiro/falso…, cria a ilusão do tempo em passado, presente, futuro e o movimento.
Esse mundo é, obviamente, irreal, uma realidade distorcida. A percepção que esse estado limitado e formal de nós mesmos e do mundo deve ser superada por uma expansão da consciência, uma mudança radical da mente e essa é a evolução desenhada para a humanidade.
Não há nada para mudar, para criar além dos meios naturais para preservar a vida orgânica. Acreditar que esse mundo ilusório possa ser “melhorado” ou compreendido desde essa condição imperfeita e distorcida tem um resultado previsível: a destruição das condições necessárias à evolução psíquica e da consciência e, muito possivelmente, da vida orgânica.
O mundo material, captado pelos nossos limitados sentidos é um mundo de consequências e não de causas. As causas do mundo denso, grosseiro e material estão num plano e dimensão muito mais sutil e inacessível pelos meios materiais, pseudociência e suas parafernálias tecnológicas.
Ao invés de caminhar na direção desse mundo de aparências e enganoso, o desenho humano, com sua excepcional capacidade psíquica, é se voltar para a luz, para as causas do que vemos, ouvimos, cheiramos, degustamos e tocamos parcialmente. Essa viagem é para dentro, para o mundo invisível dentro de cada um.
Estamos sob um transe hipnótico, num sono do qual é muito difícil de despertar porque tudo realimenta esse estado e o aprofunda. Poucas e difíceis são as influências que nos ajudam a olhar na direção das causas desse mundo.
O tempo, como uma passagem, um movimento pode ser visto melhor, em sua realidade de quarta dimensão do espaço, quando nos damos conta e olhamos para o nosso estado interior, que pode ser muito diferente independente do mundo e suas influências. A ideia do tempo pessoal e como um círculo onde o início e o fim da vida física se encontra, está confirmado pela física avançada da relatividade. O passado está à frente e o futuro no passado. A vida orgânica, em todos os níveis são ciclos que se repetem. A saída dessa repetição está fora da quarta dimensão – na quinta e sexta. As mudanças e transformações possíveis não podem ser feitas com nada daquilo que pertence ao mundo das aparências, onde tudo acontece da única maneira possível e é apenas reação e nunca ação.
O conceito esotérico do “reino”, do Reino do Céu, abre aqui um novo caminho, ideias novas sobre como pensar e tomar o tempo, o mundo.
O Reino do Céu está conectado a um “lugar” onde a vontade de Deus se faz. Na oração que o Mestre ensinou está dito assim: “faça-se a tua vontade assim na Terra como no Céu”. O que significa, ademais, que pedimos que a vontade de Deus que se faz no Céu se faça também na Terra. Portanto, obviamente, a vontade do Criador não se faz na Terra!
O que é estranho aqui é que apesar do que o Mestre ensinou e as pessoas dizem crer nele, elas tomam como certo que a vontade de Deus se faria na Terra. E que, também, esse Céu é alguma coisa que virá depois da morte, numa vida espiritual, sem o corpo. Ora, a ideia de inferno também não pode ser dissociada e se imagina que as ações durante a vida física levarão ao céu ou ao inferno, inexoravelmente. Muitas outras coisas no Evangelho se tomam de forma semelhante – com coisas que deverão vir depois no tempo, num futuro e não aqui, agora, nesse momento.
A solução para esse enigma é que podemos estar em um estado interior melhor ou pior, no céu ou no inferno aqui e agora. Qualquer que seja a situação, a realidade material, ela pode ser tomada de maneiras diferentes, não só intelectualmente, mas emocionalmente e isso, ocorre aqui, nesse momento e não num futuro no tempo, mas verticalmente, fora do tempo! Isso determina que se pode estar em um estado de ser que está além do espaço-tempo aparente.
É evidente que isso nada tem a ver com um futuro mítico, após a morte, mas agora. O mais interessante é que se pode, na eternidade, fora do tempo, viver esse melhor ou esse pior e isso muda, para sempre, a vida. O verdadeiro futuro significa realizar um novo e melhor estado em si mesmo. O primeiro passo para tal conquista é a metanóia, a mudança da mente, seguido por um acréscimo na compreensão.
O contraste entre a mera passagem do tempo, da ilusão do movimento é que há um futuro que se refere a uma mudança interior, que nada tem a ver como as impressões que nos chegam via sentidos no tempo.
Quando Pilatos pergunta ao Mestre o que é a verdade, ele responde, entre outras coisas, que a verdade não está na Terra, mas no Céu. Ora, esse Céu e essa Terra não são lugares no tempo, mas ESTADOS interiores que se devem ao nosso nível de ser e de consciência. O Céu é uma conquista através de um crescimento da consciência, não natural, mas trabalhado pela vontade e o conhecimento. A Terra, que tem a ver com o mundo de aparências não pode conter a verdade. Nessa condição “terra”, só podemos ter acesso a meias verdades, a um mundo incompleto e enganador. Para conhecer a verdade só se elevando no nível de ser, portanto, verticalmente, fora do tempo e do espaço tridimensional. Não é possível estar na quarta dimensão do espaço, que é aquilo que chamamos de “tempo”, tal como somos naturalmente, o que os sentidos e a mente lógica pode captar é uma distorção da dimensão temporal – vemos o mundo por uma fresta, por uma pequena abertura a qual chamamos presente! Só uma superação dessas condições naturais nos permite conhecer a verdade, acima do tempo e sua ilusão vista como passado presente e futuro.
As mais severas e pervertidas distorções da realidade são a consequência direta da tentativa impossível de mudar, de controlar a natureza, pela tecnologia. Ao manipular os sintomas ao invés das causas, as portas abertas à realidade se fecham porque nesse processo ocorrem um sem número de “reações” originados além dos fenômenos. No mundo das causas, onde os sentidos e a mente lógica não pode penetrar e conhecer é onde as verdadeiras mudanças e transformações podem ocorrer. Dessa maneira, o homem atual está em uma condição muito inferior ao selvagem bárbaro que tanto despreza.
Todo o esoterismo e especialmente aquele trazido pelo Mestre através das parábolas, por uma linguagem especial, se refere ao mundo psíquico e acima dele e não àquele mundo que os sentidos alcançam.
O problema aqui é que a pseudociência e seus avanços materiais são um fator de afastamento da realidade porque não se pode compreender pela violência, por estuprar e dominar, mas pela união, pelo amor.
A Torre de Babel da humanidade que imagina poder chegar ao céu através de seu conhecimento científico, cairá repetidamente e a separação e a confusão serão os resultados incontornáveis, mas coisas piores, como a ameaça a espécie, ao homem, impedindo seu crescimento e compreensão poderão ser a consequência mais grave.

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