As Comunhões


A ideia megalomaníaca e tola de que se poderia chegar ao Criador diretamente, nas condições inadequadas em que se encontra, é a causa do impedimento de qualquer progresso e sucesso no caminho interior.
Os instrumentos que nos são dados para a sobrevivência são adequados apenas para a vida nas condições para as quais elas foram desenhadas. Um homem não pode, de nenhuma maneira, por outro lado, acessar o mundo invisível e superior como ele é e na sua limitação psíquica.
O mundo de aparências, fenomênico, não pode ser mudado em nada porque aqui tudo acontece, é um mundo de efeitos e não de causas. O mundo causal, inacessível através dos sentidos, da mente lógica, só pode ser alcançado pela consciência, por uma evolução interior precisa e possível ao homem pela vontade e consciência.
O mundo de “causa e efeito”, da “ciência”, daquilo que podemos ver, ouvir e que achamos que podemos atuar, são apenas sombras e resultados de ação de um outro plano e dimensão. De fato, essa “realidade” captada pelos sentidos é como um teatro, um meio para uma mudança, para compreender. Portanto, o foco não deve estar fora, mas dentro. A vida é um meio para um fim maior definido e preciso. Tentar mudar o mundo, lutar contra os acontecimentos é ficar voltado para as sombras cujos atores estão noutro mundo inacessível pelas ações físicas.
Tudo aqui é para ser usado para uma evolução interior. Entretanto, há níveis a serem acessados e regras. Não se pode ir ao Criador, ser ouvido por meios grosseiros, sem ordem, sem preparação.
A comunhão e a reverência as forças, inteligências e poderes visíveis e invisíveis são um passo necessário para subir a escada por onde tudo é feito e determinado. Não é uma questão emocional, de “direito”, de ser bonzinho e inocente, mas de crescimento em compreensão.
Os assim chamados anjos da Mãe, a Terra, são reflexos das forças invisíveis que estão na consciência e numa parte que só pode ser acessada – esses anjos do Pai Celestial – durante o sono, quando há uma preparação e uma condição real para isso.
O sétimo dia, o Sabbath, o dia do Criador, é o resultado do trabalho e preparação da semana, e não pode ser pleno sem isso.
Viemos do invisível e caímos no mundo material, de aparências, esquecidos, sem memória. No processo de recordar, de despertar, podemos retornar, renascer. A solidez e a aparente realidade desse mundo precisa ser vista pelo que ela é: apenas um meio para voltar. Esse é um mundo de sonhos, de engano, de armadilhas. Se dar conta disso é absolutamente necessário para progredir.
Ao dormir morremos, e voltamos de onde viemos antes de nascer aqui, estamos livres por um momento e para ascender aos mundos superiores onde, se preparados, ser ensinados e, ao acordar do sono físico, manter um pouco daquilo que recebemos nesse estado passivo.
As energias espirituais só podem ser acessadas e recordadas se entramos no sono conscientes delas e pedindo por elas, organizando e disciplinando sua influência. No momento mesmo que adormecemos e no momento em que acordamos estamos abertos ao mundo espiritual. Depois as influências e impressões do mundo nos obscurecem. A noite, ao dormir, podemos nos abrir a essas energias e só nessa condição passiva. Precisamos estar receptivos e o corpo em estado relaxado. Ao acordar, o reflexo do mundo invisível se manifesta na sua imagem sensível. Dormimos com o Pai Celestial e acordamos com a Mãe, a Terra; dormimos com o Anjo da Vida Eterna e acordamos com o Anjo da Terra; dormimos com o Anjo do Trabalho Criativo e acordamos com o Anjo da Vida; dormimos com o Anjo da Paz e acordamos com o Anjo da Alegria; dormimos com o Anjo do Poder e acordamos com o Anjo do Sol; dormimos com o Anjo do Amor e acordamos com o Anjo da Água; dormimos com o Anjo da Sabedoria e acordamos com o Anjo do Ar! Essas quatorze forças, poderes, inteligências, conhecimento, harmonia nos constituem para o renascimento. Não podemos acessar o mundo espiritual com o corpo físico – precisamos um novo e mais sutil corpo.
Se uma semente não morre, não pode nascer (renascer), e se antes não desperta, não pode morrer. Na verdade, esse despertar é a metanóia, a mudança radical do pensar provocado por um novo conhecimento.
Estamos falando aqui de um despertar, de uma morte e um renascimento dentro, psíquico e não literal. Entretanto, todos os dias, a natureza previu para todos um estado de consciência chamado sono, onde “morremos”, onde voltamos a uma condição antes de nascer aqui nesse planeta. Mas, se apenas “morremos” todas as noites quando dormimos, sem antes despertar, nada se passará e acordaremos tão ou mais estúpidos e alienados que antes (perdemos mais uma chance – e elas acabam!).
As Comunhões são um instrumento efetivo e necessário para renascer, para não perder essa chance excepcional de se elevar acima do estado semi-humano em que nos encontramos.

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