A Doença do Amanhã


Possivelmente a ilusão mais danosa na vida de cada pessoa e de toda a humanidade está em acreditar que o amanhã trará algo novo, uma solução, melhora, piora, salvação ou danação, cura ou morte.
Até que uma pessoa não se liberte dessa ideia tola sua vida não mudará e o amanhã será como hoje, assim como a próxima década, até o fim da vida e aquela parte que sobrevive a dissolução do corpo atrairá exatamente a mesma vida, os mesmos acontecimentos, inexoravelmente.
A rigor, não há nenhum tempo, nenhum amanhã, nenhum ontem, porque a pessoa é a mesma e tudo será igual porque é sua condição interior que importa e não o mundo e seus eventos.
Para isso, há a ajuda das ideias do Ensinamento do Mestre e que estão parcialmente registradas no Evangelho, e no caso, no Evangelho Completo, o Evangelho dos Nazarenos. Porém, muitas dessas ideias estão igualmente acessíveis nos evangelhos da igreja romana também.
Aqui o significado do Reino dos Céus abrirá novos caminhos. O Reino dos Céus seria um lugar onde a vontade do Criador se faz, em contraste com a Terra, onde pedimos que ela se faça, ou seja, reconhece-se que a Terra é um “lugar” onde a vontade de Deus não se realiza. Ora, as pessoas imaginam, contrariamente, que a vontade de Deus se faz aqui, no mundo e que o Céu é algo mais além, que só entramos, eventualmente, após a morte! E quando se pensa em céu, esse se opõe ao inferno, o qual também seria um “lugar” que todos aqueles que não forem para o céu, irão – não há uma terceira opção.
Tanto o céu como o inferno seriam lugares que se iria depois, num tempo futuro e segundo certas condições. O que é importante notar aqui é que essas coisas não se relacionam com o homem agora, nesse momento e ao seu estado interior. Porém ninguém pode negar que pode estar num estado melhor ou pior agora e que, nesse mesmo momento, ele pode ser diferente. Diante das mesmas condições, nesse mesmo momento, pode pensar, sentir e agir de uma maneira completamente nova segundo seu ESTADO interior.
O ponto aqui é que esse estado não tem nada a ver com o tempo, mas mais com ser capaz de sair da influência do tempo por se voltar para essa dimensão vertical na vida que está acima da mera passagem do tempo visto como passado, presente e futuro. É comum que as pessoas conectem as ideias de “vida após a morte” como uma saída e solução eterna.
Esses estados interiores, que estão além do tempo, determinam tudo na vida, em como a vemos e como a vivemos. Ora, isso está na pessoa e não no tempo, fora, nos eventos, no mundo.
O futuro, portanto, está em tomar as mesmas coisas de uma nova maneira, esse é o verdadeiro futuro. Se não há essa mudança vertical, no estado psíquico, não há, verdadeiramente, nenhum amanhã real, mas somente algo imaginado que nunca chega – o amanhã sempre foge para o futuro.
É sobre esse estado interior do que trata o Evangelho. O que está ali como Reino dos Céus e inferno são estados interiores e não lugares na qual uma pessoa irá no futuro, amanhã! Se livrar da ideia de que a mera passagem do tempo é progresso e que novas coisas podem acontecer é a única chance de que uma nova e significativa vida venha, aqui e agora!
O próximo ano não será diferente desse atual e nada melhora na medida em que se envelhece. O amanhã não trará nada de novo se não houver uma novidade aqui e agora no seu estado interior. Essa ilusão do amanhã, de que o tempo por si só trará a solução, é poderosa. As dificuldades e sofrimentos induzem e amarram com mais força as pessoas a imaginar um futuro diferente. É claro que deixar para amanhã, para o tempo resolver é incompetência. O olhar necessário e antes para dentro, se dar conta da própria condição, nos cura da doença do amanhã.

O Reinos dos Céus está dentro e não virá acessível aos sentidos ou depois da morte.

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