CONFIANÇA


Assistimos a total destruição da credibilidade, da honestidade, da moral das assim chamadas instituições, governantes, cientistas, juízes, políticos e religiosos.
A farsa sobre acreditar nas coisas do mundo foi, finalmente, completamente destruída. Só os tolos e mentecaptos continuam acreditando nelas mesmo diante dos fatos.
Não há nada aqui merecedor de credibilidade, de ser seguido. Isso sempre esteve claro e explícito no ensinamento do Mestre. Ele desmistificou e expos toda a podridão e fraqueza do mundo e mostrou que a única coisa confiável é a revelação que vem via interior, com um sabor indiscutível de verdade e que é pessoal e não compartilhável.
Quando ele perguntou aos seus discípulos apóstolos, em detrimento do que o mundo dizia sobre Ele, quem Ele era, Pedro e seu irmão responderam: “Tu és o Mashiakh que desceu do céu e habita no coração daquele que acredita e cumpre a Lei”. Ora, essa revelação vem de dentro e não tem nenhum elemento externo, via sentidos. Os sentidos são apenas necessários, mas enganam se não forem substituídos pela mente pura e preparada que vê além das aparências.
Primeiro é preciso desconfiar de si mesmo e depois do mundo. O mundo é um sistema de perversão e engano. A propaganda, a ilusão e a hipnose é a sua principal função.
Não há nada necessário de ser provado e /ou imposto como verdade e que seja confiável determinado pelos outros, para a sua vida. As funções naturais humanas são suficientes para aquilo que chamamos de ciência, de natureza. O esforço em impor uma verdade coletiva, uma panaceia, um remédio, indiscutível não é somente suspeita, mas problemática porque é desnecessária e o caminho humano é pessoal e não há, de fato coisas que podem ser estabelecidas para todos em todos os momentos e circunstâncias. A manutenção da vida e da dignidade não demanda nenhuma interferência externa, nenhuma autoridade.
Só é possível dar o próximo passo, o da revelação, se há paz, vitalidade e o homem pensa por si mesmo. Envolver as pessoas em mil assuntos externos e artificiais leva ao desassossego, a desvitalização, a violência. A paz só pode ser encontrada se a pessoa se volta para ela mesma, se ela se divide e se observa – o mundo é um impedimento malicioso para essa interiorização.
É cada vez mais óbvio que não devemos depositar confiança em ninguém. Isso pertence apenas à infância e uma característica do mundo animal. Depois de adultos somos independentes e as relações devem ser entre iguais – e essa é a definição de um adulto, ser não somente responsável, mas INDEPENDENTE. Não pode haver igualdade e assim, justiça, se precisamos “confiar”, ou seja, se submeter e se diminuir. As aparências têm o valor prático e não absoluto. Se um homem se emancipa ele pode ir além de seus sentidos, mas antes, deve observar e decidir por ele mesmo.
O homem é um experimento em auto-evolução. Isso significa, entre outras coisas que é não somente responsável por si mesmo, como só pode crescer e se desenvolver pessoalmente, como indivíduo. Seus progressos só podem ocorrer voluntariamente, conscientemente, desde ele mesmo, desde dentro. O conhecimento que pode, eventualmente ser recebido, precisa ser “digerido”, isto é, transformado por suas próprias enzimas de ideias e crescem por serem apreciados e experimentados na prática.
Nada do que entra desde fora tem qualquer propriedade a não ser que seja transformado pela pessoa. O conhecimento que eventualmente fica na periferia, na memória, apenas, pode ser tóxico, pode envelhecer e apodrecer. Certas ideias são artificiais, são apenas informações que servem para erguer as paredes internas e são, como tais, secas e mortas. Aquelas que podem alimentar e dar vida, têm propriedades especiais, são “alimento” para o homem interior, para o crescimento do ser. De qualquer maneira, só servem se forem digeridas. Para representar o processo psíquico, podemos compara-lo com o que ocorre com o alimento que ingerimos, se não puder passar por uma completa transformação, entope, cristaliza, intoxica, adoece e pode matar. Isso é similar com as impressões que recebemos – algumas contém elementos importantes que devem ser absorvidos se forem conscientemente tomados. Não pode ser um processo automático e inconsciente, uma tentativa de se empanturrar com qualquer coisa.
Ao ser impedido de entrar em contato com o mundo real – a natureza – e ter tudo resolvido, superprotegido e pronto, o homem atual cresce não só sem os instrumentos necessários à vida, mas com vícios psíquicos graves e distorções. Entre essas está a atitude de confiar cegamente. De fato, o homem voltou a condição do barbarismo onde a turba segue os líderes e as autoridades constituídas.

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