A Queda e o retorno do Homem ao Jardim do Éden


Onde estais, Adão”?
O Criador nos chama em meio a esse mundo material de negações e limitações – é o chamado para nos salvar.
Desde a Queda, o Homem está dividido em uma tríade:1. a parte inferior, dos instintos e sentidos que o afasta do Jardim do Éden. Quando equilibrada, essa parte serve a um propósito, a necessidades, mas quando está fora de lugar, se revela no espírito de negação e limitação, na busca insana por quimeras – essa é a serpente, o diabo, o tentador, o acusador; 2. no meio, no coração, nas emoções, está o homem em todas as suas potencialidades, na sua real natureza e; 3. é ali que recebe do alto, da parte superior de si, a Lei que lhe guia e alimenta – o Deus interior.


Se o Homem for alimentado com venenos, com pedras, será destruído porque esse alimento impróprio e artificial se destina a sua parte inferior, e não pode ser recebida pelo seu ser. E assim, aquilo que é artificial nele crescerá e dominará tudo. A Árvore da vida é aquela, guardada por anjos, que fornece os alimentos exclusivos. A árvore do conhecimento do bem e do mal é atrativa, sedutora, mas falsificada e perigosa.
No mito adâmico o masculino seguiu o feminino, que tomou a sua frente, colheu, comeu e ofereceu o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Essa é uma inversão, um desvio da Lei. Sempre deveria ser o masculino o ativo e o feminino, o passivo. De fato, não foi literalmente a fêmea – um indivíduo primordial do sexo feminino que errou e induziu o macho ao erro, mas um certo pecado comum na constituição humana que a predispõe a ouvir o lado passivo (representado por Eva), o pensar superficial e mecânico, derivado dos sentidos, da percepção da matéria e do tempo linear, na tentação de buscar uma mudança na natureza de modo a facilitar e manipular o meio ao invés de seguir a Lei. Uma vez começado esse processo, este sofre um encadeamento e aprofundamento automático porque, o primeiro movimento, o comer do fruto proibido, conduz a uma alteração negativa dentro e fora que exigirá ou estimulará mais ações semelhantes. O que temos é uma sequência de civilizações que se erguem e se auto destroem em um processo quase inconsciente, gerado pelo primeiro pecado.


Toda essa parafernália desnecessária e perniciosa que vemos no chamado “mundo” é o resultado disso. Chegamos ao cúmulo de acusar a natureza, a Mãe, de culpada e inimiga e de tentar não somente mudá-la, mas a nós mesmos, num processo de destruição do organismo e no encontrar “defeitos”, que na verdade são o resultado de um encadeamento imenso de desvios provocados por nós mesmos, pelos milênios. Mas, há uma voz que nos chama para que despertemos do sono hipnótico: “Onde estais, Adão?” E essa voz é dirigida não à mente, voltada para fora, a mente reativa e passiva, a personalidade, mas para a Essência que mora no coração, na emoção que unifica tudo, o Amor – que é o “Adão”. A mente passiva não pode e não quer ouvir esse chamado, porque ouvi-lo e atende-lo significaria uma redução ao que deseja ser, de uma máquina que usurpou o poder de conduzir o Homem, no lugar da Essência. O usurpador, não aceita que lhe digam que não é capaz ou lhe ameacem tirar o que verdadeiramente, não é seu – entra em luta e usa todos os recursos para esmagar as ameaças. O Homem essencial é pacífico, apesar de poderoso, porque quando se ergue tem tudo a sua disposição e não só partes fragmentárias e um sonho de poder. O mundo material artificial obedece ao usurpador e a natureza, à Essência – só que o primeiro usa a violência e o verdadeiro herdeiro – o amor, a harmonia, a verdade.


O Criador quer que o Homem, que foi expulso do Jardim, volte e se alimente só da Arvore da Vida que se encontra lá. Para isso colocou querubins para indicar o caminho.
Aqui o texto exotérico e oficial do AT foi muito alterado e se lê: “E o Senhor Deus disse: Atente, o homem se tornou como um de nós, por conhecer o bem e o mal: e agora, para que ele não estenda a sua mão, e tome também da árvore da vida, e coma, e viva para sempre…”
Mas no Livro Essênio da Criação lemos:
“E a Lei, o Criador, disse: Atente, o homem não é como um de nós, desde que ele conhece o bem e o mal, e não pode agora estender sua mão, e tomar também da árvore da vida, e comer, e viver para sempre.”
O Criador deseja que o homem coma da Árvore da Vida e viva para sempre e que não venha a comer da árvore do conhecimento do bem e do mal e tenha que morrer! Se ele se desvia da Lei, tornando real o mal pela aceitação de emoções negativas e pensamentos errados, ele não comerá da Árvore da Vida. O homem não pode servir a dois senhores, ou ele serve a Deus ou ao mundo.
O próximo verso no texto oficial também foi editado e distorce ainda mais a questão da Queda e a possibilidade do retorno ao Jardim do Éden.
Assim ele expulsou o homem, e ele colocou a oeste do Jardim do Éden Querubim, e uma espada flamejante que virava para todo o lado para impedir o caminho da Árvore da vida.”
No texto esotérico lemos, por outro lado:
“Assim ele expulsou o homem; ele colocou a Oeste do Jardim do Éden Querubim e uma luz flamejante que girava em todas as direções, para mostrar o caminho da Árvore da Vida”
O assim chamado “pecado original” não impede a qualquer um em voltar ao Jardim do Éden, desde que só coma dos frutos da Árvore da Vida. Ele não deixa de conhecer os frutos da árvore do bem e do mal, mas não mais se alimenta deles!

Há, certamente, um longo caminho para conhecer e se alimentar das forças, energias e conhecimento representados pelos anjos da Árvore da Vida e, de tentações a serem resistidas dos frutos do mundo – da árvore do bem e do mal!

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