Gênesis: A Origem e a Totalidade


Há um contraste entre a apresentação do Gênesis exotérico e o esotérico – aquele contido nas escrituras oficiais e nas escrituras essênias, respectivamente. Isso teve o potencial de determinar toda a civilização ocidental, mas mais, moldou a mente de inumeráveis gerações.


Quando as escrituras oficiais apresentam o Gênesis assim: “E no princípio Deus criou o céu e a terra”, limita e molda as mentes de certa maneira. Os significados e a liberdade para compreender a criação ficam aqui impedidos.
No Gênesis Essênio, muito mais antigo e fiel lemos: “Sem princípio a Lei cria pensamento e vida”! Aqui a questão do tempo está ilimitada e se une com uma criação contínua aqui e agora. No lugar de céu, pensamento; e no lugar de terra, vida. E, ainda, Deus no texto oficial posterior, é a Lei no texto esotérico.
O que é necessário se dar conta ultrapassa as palavras e atinge gerações, que formam psiquismos rígidos e limitados – e essa parece ser a intenção.
“E no princípio”, indeterminado, quando isso ocorreu? Num passado muito distante, claro, passando a ideia de que houve no tempo um início, coisa bem mais familiar a mente simples e limitada do homem sensorial e que determina que ele continue como está – petrificado. Isso deu margem a mediocridades e charlatanismo como são as doutrinas astronômicas e evolucionista do materialismo científico. Os “cientistas” até já determinaram quando, como do que e onde surgiu o “universo”, a vida e, como “deus” teria evoluído desse “big bang”!
O “Sem principio”, por outro lado, obriga a um esforço desacostumado de pensar fora do tempo, além de um passado ou futuro. A ideia de repetição, do tempo circular se dobrando sobre si mesmo, até mesmo corroborada pela física moderna como a quarta dimensão, é a porta de saída da escravidão dos sentidos e a porta de entrada para o mundo real, sutil e infinito.
Os fundamentalistas, como fanáticos perigosos, aqueles responsáveis em todas as religiões e épocas por perseguições, mortes e tortura, insistem que as suas escrituras são a verdade e que qualquer coisa fora dela são heresia, crime, e devem ser eliminados, doutrinas e pessoas que pensem diferente. Isso não está nem um pouco distante da violência da lei humana e sua aplicação literal ou ideológica. Não há nenhuma chance de algo bom surgir disso.
A origem de tudo é na eternidade, pela Lei, e a criação é permanente. O que ela cria é pensamento e vida. Todo o resto que os nossos sentidos limitados e imperfeitos percebem, são derivados deles, como por níveis, assim como os degraus de uma escada só podem ser acessados por uma mudança radical e completa. O mundo material, chamado acertadamente de mundo das aparências, é o resultado do pensamento e vida. E esses, em seus vários níveis pessoais, revelam um mundo particular para quem os percebe e entende, desde sua vida e pensamento.
Os dois princípios básicos que regem o pensamento humano para permitir viver são a origem e a totalidade. Se partimos de uma origem falsa chegamos ao falso e se excluímos da origem a totalidade, também. Leis e regras que são exclusivas levam a erros e violência. Assim como aquelas que dizem que o adúltero deve ser apedrejado até a morte. É necessário incluir tudo num conjunto harmônico. Aquilo que pode parecer um erro, talvez não seja, e aquilo que parece correto, pode ser um erro.
O que pode, pois ser compartilhado socialmente, tem limitações e isso determina até onde e como as pessoas podem conviver e se relacionar. Obrigar aos outros a se submeter a sua visão e crenças é violência e erro.
O mundo se revela hoje abruptamente em uma ditadura pseudocientífica e política – e a origem está nas crenças da civilização.
Certamente, a verdade e o bem da verdade não são aqueles adotados pela maioria ou pelos poderosos. Somente uma evolução interior, pessoal, invisível revela, por níveis, as maravilhas da criação.

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