Dois mil anos de sabedoria Essênia

Josefus – É a luxúria um vício no indivíduo e na sociedade?
Banus – Sim, igualmente, e este vício incluiria todos os outros; porque o homem que se encontra necessitado de muitas coisas, impõe por meio disso sobre si mesmo toda a ansiedade e submete-se a todos os meios justos ou injustos de adquiri-los. Ele tem um prazer, ele cobiça outro; e no seio do excesso, ele nunca é rico; uma habitação confortável não lhe é suficiente, deve ter um belo palácio; não contente com uma mesa farta, deve ter raras e custosas carnes; deve ter esplêndidos móveis, roupas caras, um séquito de servos, cavalos, carruagens, mulheres, representações teatrais e jogos. Ora, para suprir tantos gastos, muito dinheiro deve ter e ele busca todos os métodos de obtê-lo como bons e ainda necessários; a princípio ele pede emprestado, depois subtrai, rouba, saqueia, está em guerra com todos, arruína e é arruinado. Se uma nação é envolvida em luxúria, isto a leva em ampla medida às mesmas devastações; pela razão que consome toda a sua produção, encontra a si mesma pobre ainda com abundância; nada tem para vender para estrangeiros; suas manufaturas são levadas a um alto custo e são vendidas extremamente caras; torna-se tributarista para tudo o que importa; agride externamente sua consideração, poder, força, e meios de defesa e preservação, enquanto internamente solapa e cai na dissolução de seus membros. Todos os cidadãos sendo ávidos de prazeres estão ocupados em uma luta perpétua para obtê-los; todos se injuriam ou estão próximos a ferir a si mesmos; e daí erguem-se aqueles hábitos e ações de usurpação, que constituem o que é denominado corrupção moral, guerra interna de cidadãos com cidadãos. Desde a luxúria ergue-se a avidez; da avidez, a invasão pela violência e perfídia; da luxúria, ergue-se a iniquidade do juiz, a venalidade das testemunhas, a improbidade do marido, a prostituição da esposa, a dureza dos pais, a ingratidão dos filhos, a avareza do patrão, a desonestidade do empregado, a dilapidação do administrador, a perversidade do legislador, a mentira, a perfídia, o perjúrio, o assassinato, e todas as desordens do estado social; assim foi com profundo senso de verdade que os antigos legisladores e filósofos lançaram as bases das virtudes sociais sobre a simplicidade de maneiras, restrição de necessidades e o contentamento com pouco; e o caminho certo de conhecer as extensões dos vícios e das virtudes humanas é descobrir se seus gastos estão proporcionais à sua fortuna, e calcular, desde a necessidade de dinheiro, sua probidade, sua integridade em cumprir seus compromissos, sua devoção para o bem-estar público e seu sincero e devotado amor de seu país e da humanidade

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