“Ama o Teu Próximo como a Ti Mesmo”


Estamos numa grande confusão por um motivo primário e simples. O homem dessa época está incapacitado à autopreservação. O instinto que lhe permite manter a vida está alterado na mesma medida que está incapacitado de discriminar entre a dor e o prazer e, ademais, é facilmente enganado porque é um depósito de informações falsas, de pseudociência e dominado por paixões. Essa é uma das causas de sua dependência dos outros.

Ao não amar a si mesmo, ao estar incapacitado de fazer o bem a si mesmo, estará, ao mesmo tempo, proporcionalmente incapacitado de fazer o bem ao semelhante e assim, também não consegue evitar de injuriar a outros e esses, por sua vez, o agridem e o odeiam. Mesmo as feras na natureza conservam seus instintos primários de defesa da vida e dos filhotes. As bases instintivas humanas são necessárias, mesmo que não suficientes, porque o que perdeu em instinto ganhou em capacidade psíquica que lhe permite evoluir. Porém, ao anular, através de uma vida contra as leis naturais os fundamentos da vida, onde somos semelhantes as outras espécies inferiores, não há nada sólido e correto sobre o que construir. E é justamente sobre o instinto de conservação, que é pessoal, que o homem real deve ser construído. Ao permitir ou ser forçado a mudar sua estrutura orgânica, perde toda a sustentação e se torna passivo a toda influência, inclusive aquelas contra a vida e a saúde.

De fato, ninguém pode respirar, se alimentar, repousar, mover-se, etc., pelo outro. As decisões baseadas em necessidades e as percepções delas são íntimas e não podem ser ditadas de fora.


Aqui há algo oculto e perverso – essa incapacidade de controlar a própria vida o faz acovardado e ao mesmo tempo, predisposto a odiar ao mundo e a todos. Nenhuma sociedade e associação podem persistir diante dessa verdadeira insanidade.
As consequências mais sutis e tardias, não menos importantes, são que esse homem não pode diferenciar entre o certo e o errado, entre o bem e o mal, entre o justo e o injusto. Ele não somente são se ama, como está incapaz de amar. Ele só consegue discursar sobre amar e sonhar ser justo, mas faz, na prática, exatamente o contrário.


A hipocrisia é uma das principais marcas dessa época. A cegueira interior é ainda pior do aquela dos olhos.
Bem ensinou o Mestre, que amar o próximo está na proporção da capacidade de amar a si mesmo. E isso é assim devido a uma lei cósmica que obriga a que somente quem se ama verdadeiramente e profundamente pode amar igualmente o seu próximo. Quem não se conhece e está psiquicamente doente é um ser perigoso para si e para todos – desprezar a sabedoria é se colocar em risco.


Toda a sociedade está construída de tal maneira que o cidadão fique cada vez mais embrutecido, com a intenção de faze-lo dependente. Ao invadir o espaço humano pessoal com a suposta intenção de lhe fazer o bem e de protege-lo, cometem os piores crimes.
Desde o próprio princípio da vida as pessoas estão tendo seus instintos de conservação destruídos e toda a estrutura social está organizada de forma a perverter a saúde e os instintos naturais nesse sentido.
A única esperança está em voltar às bases da vida e sobre elas construir o Homem. O amor de si, que permite a harmonia e o amor ao próximo são os sustentáculos da verdadeira sociedade. Não há onde apoiar nada de verdadeiro e bom se o homem está alterado em sua natureza.

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