O Destino das Civilizações


Há centenas de escombros de civilizações das quais nem mesmo sofremos qualquer influência ou recebemos algum conhecimento – simplesmente desapareceram. Impérios, cidades, culturas, tecnologia, ciência foram perdidos e os arqueólogos tentam pateticamente imaginar o que foram e se surpreendem de que, certamente, não somos o ápice da evolução. Somos como filhos sem pai, sem cultura, sem passado, brotamos do nada, nem sabemos de onde e de quem viemos.
Muita coisa se passou e não pode mais ser recuperada. Centenas, milhares de culturas e de civilizações “avançadas”, ricas, misteriosas se perderam, foram aniquiladas – se autodestruiram.
Isso é algo que não pode ser questionado e as razões pelas quais essas civilizações complexas e altamente desenvolvidas desapareceram tem um significado e mensagem para a nossa Era – o destino da atual será o mesmo de outras civilizações do passado. Os sinais de decadência e de barbarismo são evidentes e o fim se revela próximo.
Compartilhamos com todos os nossos ancestrais, com nossos contemporâneos e com o futuro, a nossa própria natureza, o planeta e, mais importante, a Lei.
Por outro lado, todas essas civilizações extintas e a nossa, criaram estruturas gigantescas e ricas para tentar mudar a natureza, o próprio homem e impor sua lei como forma de transformar a realidade, dominar, superar seus adversários, enfim, vencer aquilo que imaginam ser obstáculos a seus desejos e sonhos.
Menos ou mais, desconsideraram a realidade e investiram em mudanças externas, em resolver problemas imaginários ou nas dificuldades e confusões criados por suas próprias ações desastradas.
A rebeldia e o orgulho marcam todas as civilizações. Elas se assemelham a dilúvios, terremotos e vulcões no seu poder de destruição e acabam sendo vítimas de sua ganância e presunção. Jogam jogos de guerra, de traição, de crimes, de loucura e atraem violência.
A pergunta que raramente é feita e nela está indicada a saída, é quem foram os sobreviventes e como escaparam da destruição!
Os sobreviventes não são os aparentemente mais poderosos, ricos e cultos, mas os mais simples.
Em toda a história e lendas de hoje e do passado, uma coisa está sempre presente, um apogeu e um declínio se repetem – parece inexorável que as coisas deteriorem. O gigantismo e o sucesso são fatores de degradação e pobreza, na sequência. O homem não parece ter sido projetado para uma vida de conforto, opulência, prazeres, prestigio e vitórias. Certamente, essas coisas o corrompem e o fazem esquecer tudo o que realmente importa. Em geral, as piores pessoas são as mais bem sucedidas. Elas perdem algo fundamental. Elas esquecem quem são e o motivo da vida.
Em todo esse drama repetitivo, as descobertas, sucessos e obras humanas são feitas pelos ajuntamentos humanos em escombros, mas o homem, ele mesmo, nu, pequeno, sem nada, acaba sobrevivendo e construindo novas civilizações como se a ele fossem assopradas, de um lugar misterioso e por pessoas de fora do drama, como e porque reconstruir algo superior, evitando a barbárie, uma nova civilização. É certo que essas civilizações não são obra e projeto desse homem sobrevivente, mas de algo superior, de um núcleo consciente que sempre vem em socorro dos semibárbaros.
A reconstrução e o projeto das civilizações nascem de um grupo de homens conscientes, pois seria impossível que viesse dos que sobraram da destruição repetida de civilizações anteriores.
Do pouco que nos chega, por fragmentos de contos e tradições, em geral religiosas e míticas, sempre há um herói, ou homens produto de ideias superiores – que não poderiam vir de baixo e nem serem casuais, que empreendem uma obra quase mágica e impossível de reconstrução.
Mas, tudo acaba em nada, em destruição e perdido completamente. Parece evidente que todo o esforço não tem por objetivo a permanência e a glória exterior, mas um resultado oculto e silencioso sobre indivíduos, dos quais pouco ou nada a história registra – porque é invisível, íntimo.
É para a glória de pessoas, da consciência, que todas essas imensas e estranhas civilizações servem e, depois que cumprem seu objetivo, simplesmente declinam e desaparecem.
O ocaso dessas construções imponentes é sempre assustador e triste e coincide com a perda de contato com as influencias que originalmente as projetaram e construíram.

Como parece ser o caso, que nos encontramos num final de ciclo dessa atual civilização, um êxodo organizado é necessário para escapar da destruição e de ser esmagado na orgia de insanidade e barbarismo que se anuncia.

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