O Gênesis Essênio


O Gênesis Essênio é mais antigo do que aquele encontrado no AT (Bíblia) dos judeus. Sendo mais antigo imagina-se que está mais próximo à versão original. O primeiro verso que abre esse primeiro livro revelam o contraste entre a doutrina esotérica Essênia e a exotérica farisaica.
O Gênesis bíblico inicia-se assim:
“E no princípio Deus criou o céu e a terra”.
E no Gênesis Essênio:
“Sem princípio a Lei cria pensamento e vida”
Substituíram no original o “Sem princípio” por “E no princípio”. Essa visão temporal em que se busca no passado o Universo sendo criado está bem próxima às ideias da ciência materialista e míope do Big-Bang e todos os outros que a acompanham, tais como, a doutrina da evolução pela seleção natural e a sobrevivência do mais apto de Darwin – e seus desdobramentos como o Nazismo e Comunismo, a abordagem alopática da doença e da saúde apoiada na ideia de que o Homem estaria evoluindo fisicamente (mecânica e inexoravelmente) e portanto, cheio de imperfeições – o que justificaria toda a truculência e desrespeito pelo indivíduo e muitas outras políticas semelhantes.
As novas abordagens da física relativista tocam, levemente, na questão de um universo eterno e sem fronteiras e num tempo curvo.
Quando se parte da ideia que não há um princípio poderosas ideias e energias ficam a disposição daquele que se dedica a meditar sobre o assunto. Quando a origem está falsificada pode-se esperar maus resultados. E aí estão as doutrinas políticas genocidas e anti-humanas que se apoiaram em uma ideia que sustenta todo o pensar – o gênesis, tal como ao afirmar que houve um princípio num momento mítico, o pensamento criativo e saudável está impedido. A Ciência materialista forçou sobre a humanidade a ideia que o indivíduo não pode pensar por ele mesmo, enquanto só lhe é permitido pensar com as ideias “oficiais” ensinadas pela mesma ciência, porque a solução estaria fora e não dentro. Mesmo agora, no século XXI, assistimos uma terrível ditadura do pensamento e perseguições aos que ousam pensar diferente. Já se ultrapassou muito a simples censura – a ameaça e o encarceramento ocorrem de fato aos dissidentes.
No texto Essênio lemos: “Sem princípio a Lei….e no texto bíblico: “E no princípio Deus…”
A diferença aqui entre um texto e outro é que no texto Essênio está a Lei no lugar de Deus.
A palavra no Gênesis Essênio que foi apresentada com Lei é Tetragrammaton. É a palavra para o nome do Criador e como tudo está sob a regência da Lei.
O Deus criado à imagem do Homem não é aquele do Gênesis Essênio. Desde sempre o Homem atribuiu ao Criador características humanas, de vingança, de punição, de parcialidade, de semelhança física, entre outras.
Já se ouviu que Deus é razão, ou amor, ou poder, etc. Em todas elas o Criador está limitado a uma dessas filosofias.
O texto Essênio, por outro lado, enfatiza a associação de Deus a Lei! A Lei de que se fala aqui não se refere às leis da ciência, do estado, etc. De acordo com os Essênios, a Lei está por traz de tudo, em todo o lugar e sempre!
Tudo o que existe, concretamente, abstratamente, materialmente e imaterialmente, visível ou invisível, segue a Lei e é criado por ela. É essa Lei, atrás de tudo, sempre presente, governando tudo, a qual os Essênios simbolizaram no seu texto original.
Há um evidente contraste entre as visões mais tardias (bíblicas) sobre a Lei como associada a algo condicionado a tempo e espaço, imaginário e parcial e a visão Essênia, por outro lado, que está acima de qualquer limitação, é sem forma; é onipresente, onipotente, porque tudo o que acontece no universo é governado por ela e acontece de acordo a ela; é onisciente porque nela estão contidas a totalidade de leis que governam todas as coisas, a totalidade do conhecimento de todo o Universo, abrangente e ilimitada.
A Lei é nossa Mestra dizendo tudo o que devemos conhecer, nos ensinando pessoalmente e intimamente tudo. Não deixa dúvidas sobre as verdades sobre as quais nossas vidas estão baseadas. Ao nos ensinar, nos protege. As soluções nos são apresentadas passo a passo por ela. Ainda, nos recompensa generosamente quando agimos de acordo com ela. A Lei é muito melhor que um pai ou uma mãe, porque não comete erros. É o nosso professor, guia e protetor. Quando nos desviamos dela, somos nós que nos punimos. A Lei é todo Amor, está concebida para o bem, somente. A Lei está em nós, no nosso corpo e na nossa consciência. De fato, nós somos, nós mesmos, a manifestação da Lei. A Lei é fonte de energia, harmonia e conhecimento. Quando estamos consciente dela, trabalhamos com ela – somos colaboradores, co-criadores.
As concepções limitadoras, rígidas e inertes sobre a Criação são uma péssima base para o psiquismo como um todo. O Livro do Gênesis, tem como principal alvo, o Homem, assim como toda a Escritura. Esses livros contém instruções, exemplos e conhecimento de como um homem pode evoluir. Estão escritos em uma linguagem quase completamente esquecida e num nível fora do alcance do Homem natural.
Dizer que Deus “criou”… como uma obra terminada, tudo. Quando falamos em passado, falamos apenas de memória e, se for de futuro, imaginação – coisas que desapareceram e não voltam mais e coisas que ainda não ocorreram (a não ser na imaginação). É necessário se dar conta de que, nessa forma de ver a Criação, o que foi criado já não existe mais e o que ficou são apenas desdobramentos mecânicos, inconscientes do que seria uma suposta obra divina consciente e voluntária – a criação estando agora abandonada ao acaso e ao acidente. Conceba-se não só a impossibilidade disso ser assim, mas dos efeitos devastadores sobre a alma humana.
O único tempo de verbo que cabe aqui é o presente, o que significa que a Criação não tem princípio ou fim. Portanto a …Lei cria…continuamente, aqui e agora, na eternidade, o Universo – como trazido no texto Essênio!
No texto bíblico, somos conduzidos necessariamente, E no princípio Deus criou….a um passado indefinido. Isso impede qualquer concepção de escala, de hierarquia e pressupõe uma criação sem intermediários onde “Deus” age diretamente e pessoalmente sobre tudo. O próprio homem tem sérias dificuldades de encontrar o seu lugar nesse universo caótico (tal como a ciência se arrogou o direito de determinar) – seu pensamento estará para sempre em desordem e, na maioria das ocasiões, de fato, se colocará no lugar de Deus. Por que? Se alguém não pode ver, realmente, que há uma Mente Superior e que há hierarquias e conexões ligando tudo naturalmente, procurará assumir seu lugar como regente. A simples observação revela que os homens são senhores ou servos porque sua natureza necessita que obedeçam ou ordenem. Como a conexão com o mundo espiritual foi quebrada, buscam um ajuste artificial e temporal para compensar. A criação não pode ter princípio no tempo, de outra maneira não se pode falar de eternidade!
Céu e terra; Pensamento e Vida
As duas palavras escolhidas no texto bíblico remetem a ideia de uma criação material do mundo e lançam o estudioso num labirinto de coisas que, necessariamente, se apoiam nos sentidos – escravizando, assim, o pensar à lógica e ao que se chama pensamento formatório, o qual é apropriado para a ciência e totalmente inadequado para o progresso espiritual e filosófico.
…a Lei cria pensamento e vida do texto Essênio do Gênesis, nos leva para dentro, para o invisível. Ou seja, aqui não estamos lidando com coisas dos sentidos, mas com poderes eternos e de outros níveis, incompreensíveis, de fato, para o pensar natural. A não ser que um homem evolua por um conhecimento e esforço especial permanecerá ignorante e involuído.
Ainda, no texto Essênio fica claro que a Criação falada ali somos nós, sendo o mundo acessível aos sentidos, apenas um meio para o aperfeiçoamento e uma consequência. A Criação mais importante, primeira, não se refere ao mundo externo, mas ao mundo interno sugerindo que o que percebemos fora é resultado desses dois poderes chamados de pensamento e vida. O mundo é pensado e se manifesta para servir à Vida! Se aí se faz uma inversão colocando a Vida e o Pensamento como uma mera consequência da matéria inerte, sem propósito e casual, então tudo fica de cabeça para baixo E não haverá respeito à vida e a busca pessoal!
Um outro conceito que deriva imediatamente de revelar que a Lei cria pensamento e vida é que há níveis e escalas, do sutil para o grosseiro, do mais livre para o menos livre – indica que nem tudo está no mesmo nível e o processo criativo se faz do superior ao inferior onde o superior é invisível e compreende o inferior, mas jamais o contrário. Se estabelece uma ordem onde só havia o caos. A Criação não ocorreu, ela ocorre continuamente sem princípio, ou seja, fora do tempo e do espaço. Aqui o conceito e/ou percepção do tempo como passado, presente e futuro, como uma linha onde tudo está contido, não pode subsistir.
Não é fácil, ou possivelmente é impossível para alguém limitado ao tempo linear realmente crer e compreender a Criação como um processo além dos sentidos e de sua mente condicionada. Ou seja, esse Homem, forçosamente, será um materialista, incapaz de ver qualquer coisa mais do que os seus sentidos físicos.

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