Arrependei-vos!


Se um homem se “arrepende”, mas continua pensando como sempre pensou, nada mudará.
A palavra traduzida como arrependimento, nos evangelhos da igreja romana, é mudar a mente, metanóia!


O significado que a palavra metanóia pretendeu passar é ir além da mente. Para que isso seja possível são necessárias novas ideias e é preciso aceita-las e repensar toda a vida a partir delas. Deve-se notar que arrepender-se é emocional. Muitos se arrependem, mas não mudam seus caminhos. É preciso mais do que “arrepender-se” para abandonar os velhos hábitos.


As ideias sobre as quais a civilização se fundamenta pertencem aos hábitos, costumes, tradições, ciência e crenças religiosas. A maioria delas impede o pensar criativo. Foram semeadas intencionalmente para impedir o progresso interior e estimular, por outro lado, o desenvolvimento material em política, ciência e tecnologia.


Um desses conjuntos de ideias e assuntos sobre os quais se apoiam a civilização e todas as crenças atuais se refere ao Tempo. Assim como em outras questões importantes, os antigos estiveram mais bem preparados para ver o mundo além das aparências apresentadas pelos sentidos físicos.
A tão valorizada ciência tem como suporte os sentidos, aquilo que é possível alcançar com eles e/ou com a extensão proporcionada pela tecnologia. Não há nada errado nisso, desde que seu uso fique limitado aos assuntos práticos menores. O Tempo – a quarta dimensão invisível do espaço – está muito além da capacidade da mente lógica.


O Homem natural imagina e apoia todo o seu pensar como se ele mesmo criasse os acontecimentos. Entretanto, no pensar dos antigos, como aquele trazido pelas escrituras, lemos: ‘Para todas as coisas há um momento apropriado, e tudo o que se quer debaixo do Céu, tem o seu tempo’! A estação, o momento certo, nos traz a guerra e a paz, o nascimento e a morte… esses momentos propícios para cada coisa estão prontos, estão no Tempo e somos nós que vamos a eles por um magnetismo, uma atração, uma sincronicidade – ‘o Ser atrai a vida’! Ele está pronto e nos aproximamos dos acontecimentos por uma identidade, uma similaridade, que as fazem ocorrer juntas. Estamos, pois, sob o domínio do tempo – que é real, um mundo acima de nós, pré-determinado, invisível, mas que atraímos segundo o nosso nível de ser. Sempre atraímos exatamente o que tem a ver com nossa natureza real.

Nós passamos através do tempo. O mundo não é algo que passa e que captamos pelos sentidos, mas o futuro tem uma existência tão real como aquela das coisas pelas quais passamos. Não é o futuro que vem a nós, mas nós é que vamos a ele.


O Homem de hoje perdeu as antigas concepções do tempo e isso o condena a uma visão completamente distorcida da realidade. O futuro já passou, mas como não somos capazes de ver o Tempo, a quarta dimensão, achamos que ainda não aconteceu, e mais grave, imaginamos que podemos determina-lo, influir sobre o futuro com a nossa imaginada capacidade de fazer.


Deus criou os Eons, as Idades! Imaginamos, erradamente, que Deus criou, no passado, o universo como o vemos agora. Porém, o tempo futuro já está preparado, já é de alguma forma, nós é que não chegamos a ele e não o atraímos segundo o que somos – vemos e percebemos somente aquilo que nossa limitada condição permite. A realidade está muito além daquilo que podemos perceber, compreender e viver. Um esforço de repensar o mundo com essas ideias que já fizeram parte das antigas civilizações, etiquetadas pelo raso homem de hoje, como “primitivas”, é a única possibilidade de uma real evolução.


As ideias que nos vem através da ciência, da religião exotérica, das tradições são pobres e inadequadas, não produzem significados. Ao viver segundo elas, não podemos ver o mundo em sua extensão. Além disso, não podemos evoluir nós mesmos. Estamos presos por concepções erradas, pequenas.

Um profeta não vê o futuro, mas o que ele é e que não podemos ver porque só temos os sentidos materiais limitados por ideias estéreis.
O passado, o presente e o futuro são ilusões nascidas na mente do homem inculto. Construímos uma prisão de concepções falsas e vemos a vida através delas, por elas. Uma nova concepção do Tempo é a chave para a liberdade e a compreensão.

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