O Mundo

Um ponto do espaço em um ponto do tempo, ou seja, um sistema de valores x, y, z, t, os chamarei o Mundo“! (Minkowski -O Princípio da Relatividade)

Um objeto tem sempre que estar em um certo lugar (x, y, z) em um certo tempo (t), e não basta definir sua posição no Universo unicamente em termos espaciais (pelas três dimensões espaciais. Assim como o tempo não pode ser considerado à parte do espaço.

Um lugar no mundo tridimensional não é o mesmo no mundo tetra-dimensional. Esses são dois pontos do mundo bem separados – pelo tempo. Dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo – mas, em momentos diferentes, sim!  

E nós mesmos? Se somos um microcosmo, no macrocosmo, devemos compartilhar uma condição semelhante. Aparentemente, somos corpos de três dimensões que existem em um momento do tempo a que chamamos presente. Mas, isso é, verdadeiramente, uma ilusão revelada pela limitação dos sentidos e da mente condicionada.

Na literatura esotérica, tal como na Revelação 10:6 o Anjo jura que ‘o Tempo não será mais’. Exatamente como em certos estados de consciência que são superiores ao assim chamado estado de vigília, o tempo desaparece ou, melhor, há uma mudança na percepção do tempo. Um estado de consciência onde a quarta dimensão é percebida integralmente é um espaço superior. Nas condições naturais de consciência da maioria da humanidade o espaço de três dimensões se move no tempo e só é percebido por breves momentos chamados de presente.

A percepção da quarta dimensão, unida as três dimensões espaciais, leva a uma mudança completa no sentimento do Eu. Ou, um estado de consciência superior, onde se tem consciência de si, leva a uma nova percepção do mundo onde o tempo está integrado ao espaço com um todo – o passado, o presente e o futuro se fundem num todo inseparável – não há mais “tempo” como antes percebíamos.

Deus foi também definido como o princípio e o fim, como o alfa e o ômega. Ou seja, uma união do tempo como passado e futuro num todo, significando uma dimensão superior.

Platão nos fala de Deus como ‘o que sustém o princípio, o meio e o fim de toda a existência’.

E Philo, ‘Deus está abstraído de ambos os extremos do tempo, pois sua vida não está no tempo, senão que é Eternidade, o arquétipo do tempo. E na Eternidade não há nem passado, nem futuro, só presente’.

E no livro Egípcio dos Mortos: ‘Eu sou ontem, hoje e amanhã…Não há um só dia excluído daquilo que me pertence…O tempo presente é o caminho que abri’.  E ainda, em Isaias 46:4 e 10 ‘Eu Jehová, o primeiro e Eu mesmo com os últimos’. ‘Que anunciou o que virá desde o princípio, e desde antes o que ainda não foi feito’.

Eu sou o Alpha e o Ômega, o princípio e o fim, o primeiro e o último; o Senhor, que era, que é, que haverá de vir’. Revelação de João

Eckhart – ‘Tanto o primeiro como o último dia estão ocorrendo no instante presente, mais além’.

Os homens podem ser separados segundo a “Sua compreensão do tempo”, de fato, como o experimentam!

A vida não pode ser adequadamente compreendida senão além da concepção natural do tempo.

Na percepção natural do tempo cremos que o presente existe, mas que o passado e o futuro não existem ou não podem existir. Onde poderiam estar? Em que parte do espaço? Não se pode, naturalmente, nas condições condicionadas, ver a existência de um momento que “passou” ou do que virá em seguida, e porque não vês, não acreditas em sua possibilidade. Mas, acreditamos, por outro lado, com o auxílio da memória e da imaginação, no passado e no futuro!

A nossa percepção da quarta dimensão do espaço, a que chamamos tempo, é limitada, imperfeita. Significa que há muito mais e muito além do que vemos e concebemos. E essa limitação não se restringe ao que vemos “fora”, no que chamamos “mundo”, mas como nos vemos a nós mesmos.

A transformação e expansão dos nossos sentidos, que permitiria ver uma maior porção da realidade não está em microscópios, telescópios, antenas parabólicas, entre outras extensões artificiais dos sentidos, mas numa mudança da mente, uma completa e permanente evolução que começa com ir além da mente natural. Parte do mundo e de nós mesmos nos é inacessível tal como somos.

É evidente que as limitações naturais devem ser superadas. Esse estado infantilizado e imperfeito é a causa de dor, desassossego e violência. Nem o mundo, nem o Homem é aquilo que é percebido, mas há muito mais para ser descoberto e compreendido.

É a natureza dos sentidos que produz o que chamamos o momento presente e faz o mundo ter a aparência que vemos como real. Na verdade, o momento presente é apenas o nosso momento presente. O pensar natural parte daí e apresenta a realidade como o transitório. Dessa forma o mundo perece (morre) continuamente e a vida está confinada a um instante por vez. Achamos que tudo passa, acreditamos nisso, que tudo passa para sempre.

Para onde vai nossa vida? Certamente não está no espaço tridimensional.

O que nossos sentidos registram e nossa mente condicionada entende é que as coisas desaparecem, se extinguem completamente como resultado do tempo que passa. Porém, isso é uma imagem distorcida da realidade – uma limitação imposta por funções incompletas e alteradas. O mundo é o que percebemos e entendemos dele. Se evoluímos, o mundo se revelará outra coisa. O mesmo vale para o microcosmo, para nós mesmos. Não somos o que imaginamos e podemos renascer como um Novo Homem, um Homem superior, melhor do que podemos sequer conceber. Mas, antes, paradoxalmente, é necessário se dar conta que a imagem que temos de nós mesmos e os poderes que nos atribuímos são falsos. Despertar significa ver quanto somos insignificantes e inadequados.

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