A Busca pela “outra metade”

O verdadeiro motivo da busca pela outra “metade da laranja” de homens e mulheres é que estão incompletos neles mesmos. A ideia romântica de que precisamos nos apaixonar, nos enamorarmos e que isso, como explorado pelo teatro, pela literatura, pelo cinema e TV, seria uma das grandes metas da vida, de fato, é um obstáculo ao crescimento pessoal, ao despertar, e se me permitem, um impedimento ao espiritual.

Há aí uma armadilha da natureza que se vale dessa enfermidade de sermos meio-homens e meio-mulheres, incompletos em nós mesmos, levando a busca externa de nossa outra metade no sexo oposto. Ou seja, que aquele lado obscuro, desconhecido de nós mesmos se procura completar fora de nós mesmos em uma pessoa muito diferente, misteriosa e fascinante. É claro, que essa busca e o fascínio por esse objeto tão cobiçado se revela logo ou tarde como algo comum e de nenhuma forma excepcional. Não se deve confundir isso com atração física, sexual, apesar que essas coisas, amalgamadas por um estado de consciência pobre e confuso, misturam sexo e sentimentos como se fossem uma e a mesma coisa. A fascinação é o resultado de um estado de desconhecimento de si mesmo, de ilusão.

Somente o conhecimento interior da outra metade que existe oculta em si mesmo, a mulher no homem e o homem na mulher, evitará o encantamento. Nesse caso, poderá haver atração real, mas não fascinação, enfatuação. Há tantas armadilhas e sofrimentos nessa área, que resultam na exploração romântica e que se prestam ao crime e a vingança – que é quase certo, que todos aqueles que não alcançaram um estado de consciência de si, no lugar daquele chamado de estado de consciência desperto, ficarão totalmente dominados pelos sentidos e voltados para fora e na ignorância de si, pela busca dessa complementação doentia ou envolvidos nela.

No homem, a alma é feminina e na mulher, a alma é masculina. A alma é aquela parte essencial que deveria estar voltada para dentro, para ouvir as mensagens do mundo superior invisível, assim como a personalidade, aquilo que é artificial em nós, está voltada para o mundo. Ao se desconhecer e assim manter a alma subdesenvolvida, como uma criança rebelde, ela segue a personalidade e não aquilo que lhe é próprio e busca realizar-se nas coisas externas – num homem ou numa mulher.

No homem, seu corpo e sexo é ativo e, na mulher, seu corpo e sexo é passivo, mas isso se inverte internamente (na alma) e é necessário compreender o que isso significa, observando-se a si mesmo, não só na teoria.

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