A Psicologia e a Psicopatia da Superstição

O longo processo da história religiosa de várias crenças com todas as suas retificações nos desafia a analisar os esquemas de controle e condicionamento mental e emocional ocultos pelos dogmas e rituais.

Como vejo, alguns desses esquemas são mais maliciosos e difíceis de serem identificados e merecem serem expostos dada a importância de sua extensão no domínio que exercem sobre o povo.

Os milagres são relatados e organizados de forma que significam que só aqueles pertencentes a igreja estão dotados de poderes porque são cristãos, ou ainda outra crença – a igreja deteria o poder de ligar o” céu e a terra”.

Também é muito conveniente que os grandes milagres não aconteçam mais hoje, sendo sempre fenômenos do passado e que quaisquer menores estejam sob o manto da igreja.

O esforço que a igreja romana fez por cinco séculos para fazer com que milhares de eventos ficassem coerentes com profecias e a história em datas e eventos, revela a desastrada tentativa de tornar os poderes espirituais manifestos para seus fiéis como que para substituir o poder espiritual e pessoal de cada homem pelos feitos heroicos e milagrosos dos santos eleitos pela igreja para assim sequestrarem aquilo que poderia ser de todos fiéis ou homens de outros cultos ou simplesmente pessoas comuns, para a igreja e forçá-los a se satisfazerem com os milagres dos outros, daqueles que foram escolhidos e/ou forjados pela igreja em heróis e santos.

Claro que essa é uma forma esperta e eficiente de dominação do povo – os milagres e obras dos santos, dos profetas e de um eventual salvador, substitui a aspiração pessoal pelo milagroso, ao mesmo tempo que impede a verdadeira evolução espiritual de cada ser humano.

Os feitos em todas as áreas da atividade humana não são evidentemente possíveis para a maioria das pessoas. A fortuna de um Rockffeler, a voz e o sucesso de um Pavaroti, as conquistas de um Napoleão, são particulares deles e, se regozijar nesses feitos e pessoas, falar e pensar sobre o sucesso e suas obras não acrescentará nada real a nós em riqueza e sucesso. Há um milhão de obstáculos para se aproximar dos feitos desses homens e, para quase todos, seria virtualmente impossível repetir o que eles fizeram – por motivos bem conhecidos e aceitáveis. É claro que aqueles que escrevem a história só contam o que interessa, o lado heroico e vencedor.  Da mesma forma, o que lhe acrescenta, as obras como as de Moisés, de Buda, de Jesus, entre outros, se você mesmo não é capaz de repetir ou realizar as mesmas obras? Quais são os reais obstáculos em chegar lá? Tornar-se conhecido, ganhar dinheiro, alçar-se a postos de poder, um rei e imperador está longe do possível para a maioria. Porém, a evolução espiritual não tem as mesmas barreiras materiais. Essa evolução é possível porque não é dependente dos outros, do mundo, mas de você mesmo, de seu esforço e empenho, numa direção onde, se você souber como, tudo pode ajudar – a vida de cada um de nós foi feita para isso e não contra, como no caso das obras materiais!

Os milagres dos santos, as profecias, a fama e o poder dos avatares e guias da humanidade não interessam a não ser naquilo que pode ser feito por cada pessoa particularmente.

Ou seja, um dos obstáculos a nos tornamos nós mesmos santos se deve a crença supersticiosa em outros produzida pela propaganda intencional. O que as falsas religiões fazem é criar um sistema inútil, supersticioso e prejudicial de adoração e de práticas que não acrescenta nada a sua compreensão, mas o sujeita a mais servil crença.

Os poderes invisíveis e interiores são um direito e uma possibilidade para a qual fomos criados. Àquela condição interior a que se alçou um Moisés, um Buda ou Jesus é um direito de nascimento potencial e desejável para cada um de nós e, não há nada na vida que impeça que cada ser humano chegue a esse nível de compreensão e poder. Não fomos criados, portanto, para ficar limitados a apenas adorar aqueles que conquistaram tal elevação eles mesmos, mas de aprender com eles e realizar em nós a mesma condição interior – o que as religiões organizadas e oficiais estão longe de desejar.

Nenhum deles é mais ou melhor potencialmente do que qualquer outro ser humano – todos os humanos são virtualmente capazes. No caso, as falsas religiões não sabem e não têm interesse na evolução das pessoas, mas que você continue dependente das migalhas que lhe lançam para substituir seu renascimento e transformação por uma simples e inócua adoração de ídolos, crenças e rituais. Libertar é dar asas. Ensinar uma doutrina que capacite, que dê poder, transformará homens em ungidos, profetas e santos.

Seria isso que uma igreja/religião quer? Não creio! Se as pessoas começam a se tornar autossuficientes e a revelar mais sabedoria e poder que os próprios líderes religiosos, a razão da existência da igreja desapareceria tal como está organizada hoje.

Com razão as histórias de obras e superação dos santos são atrativas e inspiradoras, porém como foram intencionalmente apresentadas por esses cultos, está cercada pelo mistério de uma escolha fortuita por poderes incompreensíveis e além do alcance pessoal – Deus escolheria quem deve ser medíocre, ou Santo, ou pecador, ou condenado ou resgatado, independente e fora do alcance do esforço de cada um. Ou seja, as obras e a santidade são, para esses cultos dogmáticos, milagrosas e uma escolha divina inalcançável, enquanto se manifestam para provocar sentimentos de reverência e estupefacção pelo povo. A coisa chega ao ponto que, incompreensivelmente e contrário à um sentimento de justiça, assassinos e depravados como Saulo (o Paulo da bíblia), Maomé e Constantino, por exemplo, teriam sido escolhidos, apesar de suas más obras, a serem profetas e apóstolos recebendo do céu, bênçãos e poderes francamente incompreensíveis, dada sua vida de crimes. A coisa toda é apresentada intencionalmente para chocar e ser incompreensível e despertar um sentimento de espanto, de paralisia e catatonia mental. Com isso não se está querendo dizer que todos os santos e profetas são falsos ou que não têm merecimento, mas que as religiões, de forma intencional, lançam terra nos olhos do povo para que não compreenda.

 Por trás desse subterfúgio há a intenção de manter uma crença estúpida e uma dependência do culto. Na ciência isso se reconhece como uma técnica de produzir insanos e retardados, dependentes de uma “cura” e assistência permanente por certas crenças. O fiel e crente logo se rende a mensagem de que não há esperança fora daquela religião em particular e é mantido num estado de estupefacção e reverência, condição essa que o incapacita mentalmente a discriminar entre o falso e o verdadeiro.

Não é raro que se encontre pessoas cultas e supostamente inteligentes crendo em coisas chocantes e francamente inaceitáveis moralmente. Enfim, essa parece ser a intenção dessas religiões – produzir idiotas.

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