Digestão

Mais do que aquilo que ingerimos importa o que digerimos. De nada adianta uma pessoa comer um determinado alimento se ela não o digere. Tudo o que não é digerido é toxico para o organismo. No caso, são as enzimas digestivas que precisam estar presentes e agir sobre aquilo que é ingerido, transformando quase todos os alimentos em outras coisas que poderão ser usadas pelo organismo como energia, como material para a constituição de tecidos e sangue.

Esses produtos vivos chamados enzimas (elas são destruídas em temperaturas acima dos 45 graus Celsius) são produzidos por todo o organismo e pelo pâncreas e aplicados na quantidade e qualidade correta por esse “cérebro” especializado. É sabido que o pâncreas é um dos órgãos cuja falta significa a morte, assim como o coração, o pulmão, o rim, e o pulmão.

Essas enzimas se encontram em quantidade razoável em todos os vegetais frescos e crus. O que deve ser compreendido aqui é que essas enzimas são capazes de agir sobre os alimentos quebrando-os e permitindo que sejam recombinados em componentes vivos do corpo. Isso só é possível porque as enzimas são ativas em relação aos alimentos, que são passivos. Isso quer dizer que os alimentos, em geral, não são absorvidos na forma em que entram. Por exemplo, as proteínas ingeridas são quebradas em suas partes, os aminoácidos e depois reconstruídos em proteínas humanas – se as proteínas ingeridas não forem quebradas elas envenenam o organismo.

Alimentar-se é um ato instintivo, ou deveria ser. É comum que as pessoas comam levadas por seus hábitos sociais, por seus vícios e disfunções. De qualquer maneira, o ato de comer é uma ação pessoal, voluntária, mesmo que determinada por fatores doentios e alheios a verdadeira necessidade fisiológica. Nada lhe força ingerir alimentos, mas o que acontece depois que você os engoliu é totalmente independente de sua vontade. Ou seja, você não pode, do ponto de vista da natureza, ajudar ao organismo a digerir, mas pode, certamente, atrapalhar.

O homem pode ingerir sólidos, os quais deve transformar pela mastigação em pasta e no estômago em líquidos, pode ingerir líquidos, cuja base é a água e um elemento gasoso, o ar. Se por acaso você deixar de respirar, logo a morte acontece e esses elementos que entram pela respiração são essenciais também na digestão. Segundo a sua constituição, o organismo pode ficar semanas sem o alimento físico, dias sem água, poucos minutos sem ar e, de maneira nenhuma vive sem as impressões.

As impressões que entram pelos órgãos dos sentidos são literalmente a corrente que faz o organismo funcionar – o mantem ligado a vida. A morte significa a saída da alma do corpo, ou seja, aquilo que em nós é capaz de sentir.

Não há como duvidar que de todas as energias, em várias condensações, que fazem parte de nossa nutrição, a mais importante são as impressões. Mesmo com o ar, que entra autonomamente, inconscientemente, comandado desde nossas funções orgânicas mais sutis, pode ser relativamente interferida por nós, determinando o ritmo e profundidade da respiração e até a interrompendo voluntariamente por um tempo.

De todos esses alimentos essenciais, as impressões nos chegam impositivamente, sem que possamos escolher, esquivar, impedir sua entrada. Porém, toda a possibilidade de transformação, de evolução está determinada pela recepção e a digestão dessas impressões. Em um homem inculto, natural, não há nenhuma digestão dessas energias em forma de impressões. Porém, tudo começa a mudar no momento em que um homem. Sob influência de ideias que lhe chegam fora da vida cotidiana, aprende a transformar as impressões. Essa digestão das impressões exatamente no seu local e momento de entrada, multiplicam infinitamente o poder natural e extra-natural do homem. Ele começa a ser capaz de pensar, sentir e fazer numa escala que nenhum homem natural pode. Assim como os alimentos físicos precisam ser submetidos a energias mais sutis e poderosas, as enzimas digestivas, também as impressões que entram precisam ser recebidas e digeridas por ideias mais poderosas e evoluídas do que aquelas das próprias impressões, caso contrário, não podem servir como um fator de nutrição para a alma, para os corpos superiores.

Portanto, é fundamental compreender que a vida na terra não pode ser compreendida salvo em termos de uma outra vida, de outro mundo, superior. Não se chega a nada se formos conformistas, se não ousarmos sair do lugar comum. A mente precisa ser mudada, precisamos pensar de um modo novo, a partir de novas ideias. As ideias do mundo, aquelas produzidas pela sociedade, pela ciência, pelas filosofias e crenças nos algemam ainda mais as nossas limitações.

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