Árvores

Do Evangelho Essênio da Paz de João, o Apóstolo

Dirige-te às árvores altaneiras/ E diante de uma delas,/ Bela, alta e possante,/Dize estas palavras:/Eu te saúdo!/ Ó Árvore viva e boa,’/ Feita pelo Criador.

Antigamente, quando a Criação era nova,/ A terra estava cheia de árvores gigantescas,/ Cujos galhos pairavam acima das nuvens,/ E nelas moravam nossos Pais Antigos,/ Os que caminhavam com os Anjos/ E viviam segundo a Lei Sagrada./ À sombra de seus ramos todos os homens viviam em paz,/ E possuíam a sabedoria e o conhecimento,/ E era deles a revelação da Luz Infinita./ Através das suas florestas fluía o Rio Eterno,/ Em cujo centro se erguia a Árvore da Vida,/ Que não se escondia deles./ Eles comiam à mesa da Mãe, a Terra,/ E dormiam nos braços do Pai Celestial,/ Aliados para a eternidade com a Lei Sagrada./ Naquele tempo as árvores eram irmãs dos homens,/ E muito longa era a duração de sua vida na terra,/ Tão longa quanto o Rio Eterno,/ Que fluía sem cessar/ Desde a Fonte Desconhecida./ Agora o deserto varre a terra com areia ardente,/ As árvores gigantescas fizeram-se poeira e cinzas,/ E o vasto rio é uma lagoa lodosa./ Pois a aliança sagrada com o Criador/ Foi rompida pelos filhos dos homens,/ Que foram banidos de seu lar nas árvores./ Agora o caminho para a Árvore da Vida/ Esconde-se dos olhos dos homens,/ E a tristeza enche o céu vazio/ Onde antes pairavam os galhos altaneiros./ Agora ao deserto ardente/ Chegaram os Filhos da Luz,/ Para trabalhar no Jardim da Irmandade./ A semente que plantam no solo árido/Transformar-se-á em uma grande floresta,/ E as árvores se multiplicarão/ E estenderão as asas virentes/ Até que toda a terra se cubra outra vez./ A terra toda será um jardim/ E as árvores sobranceiras cobrirão a terra./ Nesse dia, os Filhos da Luz entoarão um novo cântico:/ Minha irmã Árvore!/ Não deixes que eu me esconda de ti,/ Mas partilhemos o alento de vida/ Que nos deu nossa mãe, a Terra./ Mais bela que a jóia mais fina/ Da arte do tapeceiro,/ É a alcatifa de folhas verdes sob os meus pés nus;/ Mais majestosa que o dossel de seda/ Do rico mercador,/ É a tenda de galhos acima da minha cabeça,/ Através da qual dão luz as estrelas faiscantes./ O vento entre as folhas dos ciprestes/ Faz um som como de um coro de anjos./ Através do carvalho rugoso e do cedro real/ A Mãe, a Terra enviou uma mensagem de Vida Eterna/ Ó Pai Celestial./ Minha prece endereça-se às árvores excelsas:/ E os seus ramos erguidos para o céu/ Carregarão minha voz até o Pai Celestial./ Para cada filho plantarás uma árvore,/ Para que o ventre de tua Mãe, a Terra/ Produza vida,/ Como produz vida o ventre da mulher./ Aquele que destrói uma árvore/ Corta os próprios membros./ Assim cantarão os Filhos da Luz,/ Quando a terra voltar a ser um jardim:/ Árvore Sagrada, dom divino da Lei!/Tua majestade reúne todos aqueles/ Que se desgarraram do verdadeiro lar,/ Que é o Jardim da Irmandade./ Todos os homens voltarão a ser irmãos/ Debaixo dos teus ramos desfraldados./ Como o Pai Celestial tem amado todos os seus filhos,/ Assim amaremos as árvores e cuidaremos delas,/ As árvores que crescem na nossa terra,/ Assim as guardaremos e protegeremos,/ Para que cresçam altas e fortes/ E encham de novo a terra com a sua beleza./ Pois as árvores são as nossas irmãs,/ E, como irmãos,/ Havemos de amar-nos e guardar-nos uns aos outros.    

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