A Vida Eterna

“E então, com o Reino de Deus, virá o fim dos tempos. Porque o amor do Pai Celestial dá a todos a vida eterna no Reino de Deus. Porque o amor é eterno. O amor é mais forte que a morte.”

Nessas palavras reveladoras e repletas de esperança do Evangelho Essênio da Paz de João, o Apóstolo, se abre para todos o segredo da Vida Eterna, do fim dos tempos, que nenhuma maneira tem a ver com aquela ideia pueril e tola da destruição física do universo, mas com uma condição evoluída da psique que acessa um mundo de mais dimensões – dimensões superiores, onde o tempo como percebido pelos sentidos, desaparece.

Aquele paraíso futuro, sonhado certamente como resultado da morte do justo, é igualmente outra imaginação supersticiosa e paralisante.

Não há nada no futuro no tempo, nem no futuro pós-mortem. Ali só há mesmo a dor, morte e nada mais.

A única saída está na eternidade do agora, que não está no tempo, na percepção de passado, presente e futuro, mas que entra na vida como o Reino de Deus, desde o mundo superior.

A manifestação em ação do que se pode chamar Amor é a união e isso significa cumprir com a vontade do Pai Mãe que está acima. E, finalmente, isso não é outra coisa do que seguir seus mandamentos, todos eles, a Lei Única.

Não somos nada à parte do Criador, da sua criação. Sozinhos murchamos como pasto e somos usados como combustível e nada resta. A rebeldia e a revolta implica em um estado de separação e oposição, de ódio e isso, é já a morte. Nesse estado de ignorância não buscamos o nosso próprio bem, mas agimos como se o conhecêssemos e ademais, acusamos, assim, o Criador de erro, de ter falhado! Não aceitamos a regra do jogo. Queremos impor, na ignorância, as nossas regras e criar uma realidade do nosso sonho insano. Nesse estado de desassossego e raiva estamos incapacitados para ver a Luz, o Caminho e a Vida – só vemos escuridão, tropeços e morte.

Não fomos concebidos para a competição, mas para a cooperação, para a união, e assim para o Amor.

O que é perder tempo (a vida) senão errar o caminho? E errar o caminho, ir longe demais na direção errada, é pecar. E o pecado, leva a morte, certamente. Escolher caminhos na ignorância, agir temerariamente, empiricamente, é uma temeridade e estupidez. Passamos assim errando a vida toda e não chegamos a nada, chegamos a morte, ao esquecimento e a perdição, literalmente.

O mundo não acredita no Bem, na Lei, no Caminho já preparado, na Verdade que está diante dele. Continua procurando seus próprios caminhos por erros e acertos, sofrendo, cego e angustiado pela dúvida e incerteza. A máxima dos rebeldes parece ser: deixe-me errar, estou satisfeito com um passado que desapareceu e não pode ser recuperado, com um futuro que nunca chega e com um presente que passa sem deixar nada real.

A revelação da verdade não são palavras pomposas para emocionar e se agarrar a elas por uma fé estúpida, mas instruções precisas que constroem uma nova mente, um novo corpo e um novo ser.

São instruções para ensinar a pensar, a sentir e a agir como verdadeiros seres humanos desde dentro e não como máquinas orgânicas comandadas de fora por estímulos caóticos.

O significado de: “ O Amor é mais forte que a morte e, o Amor é eterno” tem implicações precisas, exatamente como uma fórmula matemática. Pessoas doentes, intoxicadas, com um nível de consciência baixo, arrogantes, vaidosas, com uma psique alterada, com costumes degradados e num ambiente inadequado, não terão facilidade, ou estarão impedidas de compreenderem isso.

Então não adianta insistir, falar desse assunto, tentar resgatar pessoas? Sempre, mesmo nos casos mais graves, há uma porta entreaberta no mundo psíquico por onde um significado poderoso pode entrar e iniciar um processo de mudança numa direção útil.

Assim como o Mestre afirmou que a Verdade é do Céu, do mundo superior do qual o nosso é um reflexo imperfeito, também o Amor pertence a uma outra realidade. O Amor está fora do tempo ou seja, enquanto pensamos e agimos com os sentidos, uma mente lógica limitados pela percepção temporal não podemos experimentar o Amor e assim a eternidade e, da mesma forma, não venceremos a morte, que é o esquecimento, a repetição, o ciclo inexorável de retorno. Já se disse que Deus é amor, que Deus é o Deus vivo, para homens vivos. Vivemos em um mundo pessoal e em um mundo material onde a dor e a morte são as regras – não há nada que se possa fazer para mudar isso. A saída não está em reformar o mundo, a criação como a percebemos, mas em despertar, em se erguer acima das nossas limitações, sonhos e ilusões – a transformação necessária é dentro de cada um e não fora. Há um mundo novo e real a nossa espera. Precisamos voltar a Casa do Pai-Mãe depois de peregrinar e experimentar o horror desse mundo fantasmagórico e cruel.

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