O Fundamento Vital

Não há como apoiar qualquer decisão, ação ou filosofia política sobre alicerces sólidos se ignora-se os princípios essenciais, ou seja, as leis cósmicas e naturais relativas ao homem.

Ao ignorar e negligenciar a natureza humana as sociedades dessa Era são constituídas sobre princípios falsos, imaginários ou ideológicos, todos eles contrários ao progresso do ser humano – a liberdade, a propriedade e a igualdade. Aqui estão as causas fundamentais do fracasso da construção da civilização e das nações.

A base da natureza humana regida pelas leis cósmicas e naturais está na AUTO-PRESERVAÇÃO.

Ao desconhecer as leis cósmicas e naturais e como a natureza humana se relaciona a elas coloca-se coisas como felicidade, prazer, conforto, entre outros valores no lugar do que é fundamental, a auto-preservação, sem o que nada há para perseguir já que sem a vida nada mais importa. As discussões intermináveis sobre valores em detrimento do fundamento da vida são a causa de desvios e desastres na construção das civilizações e sociedades. Ainda, as decisões pessoais que negligenciam e ignoram que o valor principal é a vida e a sua manutenção, levam o indivíduo a buscas vazias e a empreender esforços que o conduzem a riscos. Essa civilização apoiou-se em valores espúrios e infantis, os quais a levaram a criar um monstro que escraviza e sufoca seus povos. Há um milhão de coisas desnecessárias e complicadas que confundem a mente, os sentimentos e as ações de todos que perdem o foco naquilo que realmente importa, e assim, constroem um complexo de coisas falsificadas.

Somos dotados naturalmente de funções que guiam o nosso comportamento para nos preservar: a sensação de dor e prazer. A dor que nos adverte de tudo o que ameaça a nossa integridade e o prazer que atrai e direciona para tudo que tende a preservação e a melhora de nós mesmos.

O sonho, a ilusão que foi implantada na mente do homem dessa civilização de que há uma estrutura externa mítica que garante a vida, acaba por deixá-lo completamente alienado do fundamento de sua natureza original. Todos estão ocupados em atividades supérfluas e danosas, incapacitados de sentir a si mesmos, de compreenderem a sua relação primordial com a natureza, a sua dependência e relação vital com os elementos.

Entre as complicações, deve-se levar em conta que dentre quase todos os homens de hoje a maioria está com o seu organismo alterado num tal grau que estão incapacitados para usar fielmente seus guardiões: a dor e o prazer, como instrumentos para guiá-los. Ou seja, a base da preservação projetada para manter a vida, não lhes serve para identificar os perigos e/ou o bom caminho à frente. A anestesia e a exacerbação dos sentidos não permite ao povo guiar-se e é, exatamente isso, que os coloca sob a tutela do estado e das máquinas. Enquanto o homem degenera e se torna limitado em suas funções naturais e psíquicas as máquinas evoluem e os meios de controle estatal se ampliam.

Ao dizer que essas duas sensações primárias e instintivas de prazer e dor determinariam nosso sistema de auto-preservação pode parecer que elevamos esses instrumentos a uma meta de vida.

Na verdade, o prazer é um incitamento à vida, como a dor é uma repulsa à morte. Não são coisas e serem buscadas ou evitadas como metas de vida, mas instrumentos úteis. Por outro lado, as condições anormais de existência provocam neuroses e desvios que levam uma pessoa a ficar escrava dessas sensações – e nesse caso, elas (as sensações) perdem completamente suas funções de preservação da vida, quando não levam a degenerescência e a morte.

É evidente que o homem é muito mais do que seus instintos. Sua principal função, aquilo que define a raça, são suas funções psíquicas: o homem é aquilo que compreende.

Assim, essas sensações, esses guias podem produzir engano e desvio. Duas coisas perturbam o bom funcionamento e os acertos da dor e do prazer: a ignorância e a paixão.

Somos enganados pela ignorância quando agimos sem conhecer a ação e o efeito dos objetos sobre os nossos sentidos e pela paixão quando, mesmo conscientes da ação perniciosa dos objetos, nós nos abandonamos à impetuosidade de nossos desejos e apetites.

A consequência disso é que a ignorância na qual nascemos e os apetites irrefreados aos quais nos abandonamos são contrários à nossa preservação; que, portanto, a instrução de nossas mentes e a moderação de nossas paixões são duas obrigações, duas leis, derivando diretamente da primeira lei da preservação.

Se colocar nas mãos de outrem, do estado, de máquinas, de um sistema organizado ao invés de assumir completamente e conscientemente a responsabilidade pela auto-preservação é a origem da degeneração e perversão individual e coletiva. Não se pode deixar de tomar isso como algo fundamental, do que depende absolutamente tudo, desde a saúde, o bem estar como a evolução interior.

Os sistemas sociais e civilizacionais que ignoram as leis naturais e cósmicas criam ambientes doentios e involutivos e é assim com essa civilização atual e com todos os seus sistemas políticos e filosóficos – vivemos sob um mundo empírico, sempre apoiado em quimeras, sempre errando e experimentando e incapaz de indicar o bom caminho.

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