Psicologia – a Ciência da Alma III

Quando se fala em “evolução” logo somos levados a pensar na “evolução das espécies através da seleção natural, da sobrevivência de mais apto”. De fato, não há qualquer teoria pseudo-científica que apresente alguma comprovação da evolução física ou psíquica do homem.

O que sem dúvida há são muitas evidências de que no passado próximo ou muito distante existiram homens, civilizações muito mais harmoniosas e avançadas do que as presentes. Mesmo, hoje, aqui e agora, pode-se encontrar exemplares de homens excepcionais.

Quando a evolução mecânica, casual, do inferior para o superior, do nada para tudo, do inconsciente para o consciente, no passado não se observa, também não se pode esperar que ela ocorra no futuro. A única possibilidade seria uma evolução consciente, através do esforço e da maior compreensão pessoal.

Tudo indica que o homem é, como outras espécies, um organismo estabilizado e completo onde nenhuma mudança entre as gerações leve a qualquer “evolução ou involução”. A estabilidade é a lei biológica das espécies e não a instabilidade.

Porém, o homem é um ser incompleto psiquicamente, como se tivesse sido propositalmente deixado para que pudesse, com certa ajuda daqueles que já se constituíram e pelo seu interesse e esforço consciente renascer como um novo ser ou, ao contrário, ao estar satisfeito com essa sua condição, viver assim, nessa condição sub-desenvolvida ou mesmo, degenerar ainda mais.

Essa evolução significa uma evolução interior, invisível para a maioria das outras pessoas, naquilo que se refere à sua psicologia, a sua compreensão e consciência. Esse crescimento especial não pode ocorrer naturalmente, autonomamente, mas como resultado de um trabalho dirigido.

Esse crescimento possível significa uma real transformação, como um nascimento de um novo homem, muito diferente do homem comum e não cultivado.

É também sabido e esperado que nem todos podem ou se interessam por mudar, evoluir. Assim, isso é uma raridade, como aquela “porta estreita”.

Entre todos os impedimentos e o que, ao mesmo tempo, é absolutamente desconhecido da psicologia moderna é que o homem comum se atribui poderes e faculdades que não possui, e esse é o impedimento maior para que procure ajuda, procure mudar.

Ou seja, o homem não se conhece a si mesmo – não conhece suas limitações, suas possibilidades, nem o que desconhece.

A civilização atual tem desenvolvido a tecnologia, as máquinas, enquanto o homem, suas próprias potencialidades, se atrofiam.

Entre todas, a máquina humana é a mais complicada e a qual menos se dedica compreender e desenvolver.

O homem, aquele homem comum sim é um autômato, uma máquina e assim, não tem movimentos independentes, está totalmente determinado por estímulos externos, comandado pelos seus sentidos e por uma mente simples, apoiada nas aparências reveladas por esses mesmos sentidos.

Entretanto, a diferença das máquinas que cria, o homem tem a possibilidade de deixar de ser uma máquina, pode evoluir e se tornar consciente e ter vontade própria.

Para que deixe de ser uma máquina, precisa antes “ver” que é uma máquina, precisa ver suas limitações e como só reage e que sua natureza não é a unidade, mas a multiplicidade de “eus”, os quais se substituem no comando inconscientes do anterior. Nesse sentido, o homem é um produto do meio, construído e moldado pelas circunstâncias, onde não existe um centro de comando e nem um Eu único.

Além das dificuldades próprias de se ver, tudo fica muito mais complicado porque a maioria se ofende e não quer nem olhar para saber de sua própria condição.

Para evoluir é absolutamente necessário saber o que se tem e o que não se tem, o que se é e o que não se é. Não é possível se construir sobre a areia, sem alicerce, sem apoiar-se na verdade e, a verdade, sempre é amarga no princípio.

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