O Mistério da Vida I

Já disseram que fazer uso, bom uso das faculdades psíquicas é fundamental e, pode ser acrescentado, que também é o que nos faz verdadeiramente humanos.

O homem não é, ou não pode ser resumido ao seu corpo, mas a sua condição psíquica desenvolvida durante seu viver. Há atitudes que revelam uma condição inferior, quando não também, criminosas e más.

Pode ser classificado como humano o portador de um corpo humano, e vida que é cruel, mentiroso, destrutivo, malicioso, vil?

Entre todas as características humanas, que são extensas e complexas está em questionar, estudar, meditar, se instruir sobre as questões fundamentais da existência.

É frequente que muitos assuntos, pela sua dificuldade e/ou por serem polêmicas são evitadas e não questionadas em seus conceitos.

Entre todas as suas características excepcionais, e sobre esta poucos ousam discordar, está a vida, quando comparamos a nossa e a de outros seres vivos. A “vida” que nos anima não é simplesmente e a mesma que se manifesta nos outros seres do planeta.

É aqui que somos obrigados a pensar sobre a vida como uma condição marcante em todos seres e particularmente, em nós mesmos.

A postura de não discutir, não questionar certos assuntos não é própria daquelas características que classificamos como humanas, como inteligentes.

Se uma pessoa, simplesmente não questiona e não busca conhecer o mundo e seus fenômenos e, entre esses, no qual a vida é central, tudo o mais que pensar, falar e fizer, estará marcado por essa estranha condição limitante.

Para começar, vida é saúde. Se há menos vida, há menos saúde, e se há menos saúde, haverá menos vida.

As limitações provocadas pela má saúde se apresentam como pequenos mal-estares, dores, disfunções, chegando até a morte – que culmina, para o corpo, em sua completa e irreversível dissolução.

A passagem do tempo pode ser relacionada para o ciclo particular de vida de cada ser como decrepitude e uma real “morte em vida”, quando células diminuem sua vitalidade, produzem toxemia, se deformam e morrem.

Está fartamente comprovado que nenhuma matéria conhecida combinada com outra qualquer energia “cria” vida. A tentativa dos necrófilos em compreender o fenômeno dissecando cadáveres e num laboratório de química na tentativa de reproduzir a vida como observada na natureza, são fracassos totais e esforços patéticos e pueris.

Pode ser útil tentar se aproximar de uma definição intelectual porém, essa manifestação poderosa, misteriosa e complexa me parece que deva ser experimentada diretamente, sem que, necessariamente, os conceitos intelectuais e conhecimentos científicos interfiram. Ser capaz de sentir a vida diretamente e os meios para isso não estariam impedidos pelo intelecto.

Uma outra condição marcante da vida é que revela a ordem, a Lei, a harmonia. Desarmonia desemboca na dor e na morte.

Se vemos que é assim, que a desarmonia e sua consequência, a morte são contingentes e que, finalmente fazem parte do mesmo processo provocado por hábitos e modos de viver incorretos, contra a Lei, deve-se necessariamente concluir que a morte é um estado evitável e assim, um erro e, no oposto, só a vida é a saúde são reais e permanentes.

O corpo humano, assim como o dos animais parece, sob as condições naturais, perecível, ou seja, a vida pode abandoná-lo, e o faz sob certas condições anômalas e inevitáveis, até, de vida limitada por uma condição rebaixada.

Assim como dependemos dos elementos disponíveis na natureza, também dependemos de como nos relacionamos com esses mesmos elementos. As leis estão escritas exatamente em tudo o que é vivo e, entre tudo, particularmente, no nosso organismo.

Entretanto, o paradoxo é que a percepção e a compreensão dessas leis depende de uma condição ideal de pureza e saúde e que, por sua vez, depende de seguir as mesmas regras. Ora, quando o impedimento de um corpo impuro e adoentado é removido uma nova condição de compreensão pessoal do universo, interior e exterior se torna possível.

A ideia por trás desse enigma é que é impossível ler, ouvir ou chegar a conclusões sobre assuntos centrais para o progresso e a evolução se estamos em condições inadequadas.

Um desses mistérios é a vida – e dele, por outro lado, depende a saúde e a própria capacidade acrescentada de compreensão e de expansão da consciência.

Ciência?

A ciência, como conhecemos está limitada pelos seus métodos e dogmas e pelos próprios cientistas. Fica evidente essa limitação quando se trata da compreensão do que é a vida.

Obviamente que a ciência só trata com fatos, fatos esses que devem ser revelados pelos sentidos e interpretados pela mente lógica – mente essa construída pelos mesmos sentidos.

No caso da misteriosa vida, invisível, sutil e que se revela de mil maneiras no homem, parece não pertencer a esse mundo de aparências e daí a dificuldade de compreender um fenômeno além dos sentidos e da mente lógica.

Apesar da ciência, na teoria, continuar a apoiar, ensinar e utilizar a velha e embolorada doutrina da abiogênese, ou seja, de que a vida deriva espontaneamente da matéria inanimada, morta, na prática, os biólogos empregam a biogênesis, ou seja, de que a vida só pode derivar de outro ser vivo. Entretanto, contraditoriamente, afirmam que não há tal coisa como vida no abstrato. O que quer dizer que não há tal coisa como a entidade chamada vida.

Eles se perturbam e afirmam que, de uma maneira desconhecida, “misteriosa”, o primeiro organismo vivo surgiu – e, segundo sua doutrina confusa, só pode ter surgido e “evoluído” de matérias inanimadas, mortas! O que na prática, inegavelmente, é admitir a “geração expontânea”, a abiogênese, ela mesma tão ridicularizada pelos mesmos cientistas modernos.

Eles assumem que deve ter acontecido a vida em algum momento, de alguma forma e em algum lugar – e que, misteriosamente, não acontece mais – da mesma forma que não vemos macacos “evoluindo” em homo sapiens!

É óbvio, que a ciência deve obrigatoriamente admitir que num passado distante não havia “vida”, como imaginam ela ser. Mas, que por um processo mecânico e casual esse “milagre” químico/físico ocorreu e dali surgiu o primeiro ser biológico. Aqui o próprio conceito da biogênesis é por eles mesmos negado porque negam que não há vida no abstrato.

A nova energia, a energia da vida, supostamente teria surgido de um processo físico-químico. E, claro, isso não se explicaria pela alta complexidade molecular, por exemplo, mas por essa misteriosa nova e milagrosa energia – que a ciência imagina em seu sonho “científico” ter surgido não se sabe de onde. Apesar de tudo o que dizem, esses mesmos homens são incapazes, não importa com que tecnologia, de criar vida.

Queiram ou não, ao afirmarem que a vida tenha surgido abruptamente e desconhecidamente, também são obrigados a admitir que isso é uma especie de “evolução emergente”, a qual é inegavelmente, a porta da geração expontânea.

Finalmente, a ciência moderna, com toda a sua altivez, vaidade e orgulho se recusa a abandonar suas crenças supersticiosas na origem da vida da matéria inanimada, do inteligente do não inteligente, do consciente do inconsciente, do ativo do inerte, do algo do nada, do múltiplo da mesma coisa, do grande do menor, do simples para o complexo. Isso significa que o suposto surgimento do mundo veio do nada, com todas as suas leis e ordem, o mesmo que a suposta evolução do inferior para o superior ocorreu por acaso, através de bilhões de mutações “positivas” e organizadas, direcionadas e, assim, exaustivamente e infalivelmente – na imaginação desses senhores sérios, honestos e competentes.

Toda a ciência tem suas bases, necessariamente apoiadas nessas crenças básicas. Quer dizer que a ciência prática e a tecnologia não funcionam?

Inegavelmente que funcionam, principalmente aquelas aplicações da física, da química e da matemática. Mas, não funcionam, nem de longe, tão bem, as ciências biológicas, psicológicas e sociológicas. O que evoluiu foi a tecnologia, as máquinas, mas muito pouco o verdadeiro conhecimento sobre a vida.

Graham e Tilden, por outro lado partem de um outro ponto quando afirmaram:

“Os instintos vitais se comportam como se dirigidos pela inteligência”; e “fisiologia é psicologia organizada”. O que significa, finalmente, que a vida é muito mais do que um episódio físico-químico. Eddington assume que “ a mente é a primeira e a mais direta coisa em nossa experiência, tudo o mais sendo remota inferência. O organismo integrado funciona em virtude da sabedoria incarnada em seus tecidos”!

Assim, estaríamos autorizados a perguntar: qual é a origem, se ela tem uma origem, dessa sabedoria e com o que está conectada? O que, em outras palavras, é que está incarnado?

S. Greiner disse: “O corpo recusa fazer a si mesmo em um livro texto; e se o bisturi força a entrada no santuário, ele guarda sua sabedoria morrendo. Não importa o quão artificiosos seus furtos e sutil suas estratégias, ele não pode invadir seus recintos sem antes cometer assassinato; e o que ele subsequentemente obtém da autópsia do cadáver não é mais do que uma paródia daquele organismo vivo”.

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