Os Alicerces dessa Civilização

 

O que é real e o que não é definirá se haverá evolução e progresso ou, continuaremos a girar em círculos, sem avançar. A ênfase de que o progresso das máquinas e da tecnologia signifique progresso humano é incorreta e maliciosa. O desastre social e pessoal atualmente é inegável, mesmo diante da parafernália “científica”. Cada vez mais se deposita confiança nos sentidos e na matéria e se despreza o mundo interior invisível. A inversão foi cuidadosamente elaborada e extensamente instalada. De fato, rompeu-se novamente a conexão entre o Céu e a Terra, entre o mundo arquetípico e o mundo criado, chamado de mundo de aparências. O homem ficou, assim, sujeito a matéria, tentando chegar ao céu ao construir uma nova Torre de Babel – a confusão e o desentendimento é completo.
O mito darwinista e do materialismo científico é agora absolutamente dominante. Em todas as áreas humanas, incluindo as assim chamadas “religiosas” a base é o sensório e o temporal – se fala num paraíso após a morte.
A prova final para tudo o que fazemos e decidimos se baseia exclusivamente nos sentidos e no pensar limitado que construímos a partir do que percebemos. Não é difícil demonstrar que esse mundo que nos é tão caro e que determina a nossa psicologia e crenças é apenas aparência, é instável e relativo – mas se crê que a “ciência” e a evolução mecânica de tudo nos levará ao paraíso sonhado.
Nossos sentidos são extremamente limitados e o que vemos, ouvimos e percebemos revela um mundo distorcido e irreal. A ilusão começa quando tomamos esse mundo de aparências como a realidade. Ao apoiar toda a vida sobre essas certezas não só vivemos uma ilusão como construímos uma psicologia rasa e medíocre.
Não se nega que esse mundo percebido pelos sentidos não deva ser levado em conta, que não faça parte ou seja um meio para uma evolução, mas que o que somos capazes de ver e compreender a partir das nossas atuais limitações é apenas uma parte ínfima da realidade e que, ao se agarrar a ela ficamos impedidos de avançar, e ademais, aquilo que está acima disso é infinitamente maior e a causa verdadeira desse pequeno e limitado mundo fenomênico.
O homem é muito mais qualidade do que quantidade. O que ele é verdadeiramente e o que pode se tornar não pode ser medido por equações matemáticas, pela química e pela física porque o verdadeiro homem é invisível e incognoscível para os outros e, possivelmente, só pode ser “visto” e conhecido por ele mesmo.
Ao se voltar para o exterior, o homem moderno e pós-moderno se acorrentou ao que percebe com seus pobres sentidos, sua pobre mente e sua semi-consciência.
Toda a original doutrina esotérica trazida pelo Mestre Jesus foi “adaptada” à civilização greco-romana decadente do século IV. A repetição mecânica e inconsciente do Evangelho ( aquele pouco que chegou às massas) acrescentou mais grades à prisão. A busca por coerência e realidade no cada vez menor, os átomos e seus inúmeros componentes, se mostrou complexo e confuso – quanto mais cavam ali a nenhum lugar chegam. O que parecia à princípio simples se mostrou objeto de uma complexidade enorme como quando ao se olhar para um sonho, semi-desperto o mudamos e tudo fica alterado. A física quântica reconhece que o observador muda o resultado do experimento – ou seja, o invisível altera a realidade material.

Partir do inferior para chegar ao superior, do inerte para chegar a vida, da ameba para chegar ao humano, do nada para chegar ao universo e a tentativa de explicar o invisível pela matéria, é uma verdadeira tara desse tipo de pensamento que precisa sempre de novas hipóteses mais e mais complexas com o abandono das anteriores na experança vã de progredir.
A tentativa de explicar, por exemplo, o homem através de suas partes, de seus órgãos, células, moléculas e átomos é uma ação que faz o homem desaparecer. O microscópio, o bisturi, não só não explicam o humano como o diminuem a nada.
Não se pode explicar o todo pelas partes – uma casa não se resume aos tijolos, assim como o homem aos átomos que o compõe.

Somente a ideia que deu origem àquilo que observamos pode nos dizer verdadeiramente o que aquilo é ou, será. Uma cadeira, uma casa precisaram ser pensadas e criadas antes na mente. Os materiais que as compõe não as definem. Não se pode partir delas (das partes materiais) para compreender o que são – o que o materialismo científico tenta fazer!

Todos eles, tudo deriva verdadeiramente do invisível. O que chamamos de materialismo científico enfatiza e se limita ao material e exclui a ideia, a causa por trás de tudo e que, finalmente, relaciona todas essas coisas e as une em um todo harmônico. A ciência está absolutamente presa ao passado, ao que já foi. Trabalha com coisas mortas!
É preciso compreender que a ideia não se encontra no tempo, no mundo fenomênico, mas no eterno agora.
A união do invisível e do visível, entretanto, é fundamental para a compreensão e para a evolução.
A visão materialista trata tudo pelas quantidades e ignora a qualidade, o significado, a ideia. A complexidade e a maravilha da vida, da consciência e do universo não surge de partes brutas e simples da matéria. Mas, esta é uma concepção sedutora desde que explica facilmente, sem esforço, que vivemos e somos um produto acidental de processos mecânicos e inconscientes.
A conclusão é que bastaria ao homem se dedicar ao que pode perceber e conceber com seus sentidos e com a mente atual para progredir e ser feliz. Então, toda a vida se voltará para o exterior, para criar tecnologias e acumular conhecimento e conquistar a natureza, e certamente, aos outros semelhantes, menos dotados! Esse é o princípio nazista da raça superior, da eugenia, da dominação dos mais fracos pelos mais fortes, do fascismo. É indiscutível que, se houve “evolução” biológica, ela é continua e, portanto, entre nós há raças e homens superiores e assim, também inferiores – o que justificaria a dominação dos mais evoluídos sobre os inferiores! A mesma concepção se presta a justificar que a riqueza se deve a uma condição superior e o contrário, a uma condição inferior. Alguns falsos cristãos usam esse princípio para afirmar que os bens materiais são um sinal de santidade e, o contrário, de rejeição por parte do Criador!
Mas, há muito mais. Com isso, a humanidade vê a solução de todos os seus problemas fora de si mesma. O poder da tecnologia e das massas se erguem para anular o indivíduo, conduzindo à anulação das diferenças, dos costumes e crenças que definem a própria humanidade com suas diferenças. A uniformidade é perseguida e manipulada para ocorrer e com ela o que chamam “globalização”. O pensamento independente também desaparece e a imitação e a repetição dos slogans se torna hegemônica. A velocidade da comunicação com os meios digitais e dos transportes não somente torna o mundo pequeno e o conecta, mas todos ficam sujeitos a algumas fontes que dominam a opinião mundial. A organização e o controle das massas é utilizado por ideologias e interesses mundiais obscuros. A crença de que a humanidade encontrará em um futuro próximo soluções finais para suas dificuldades através da ciência e de uma ordem mundial uniforme e poderosa destrói, na maioria das pessoas, toda a liberdade e criatividade.

A verdade não só deve ser descoberta integralmente por cada ser humano e vivida de forma a elevá-lo individualmente a um novo e desconhecido nível de ser, como ele deve fazer isso pessoalmente. O conceito que a ciência e sua tecnologia podem ser compradas e usufruídas e que isto resolveria os dramas humanos, tornando desnecessária a evolução pessoal e intransferível,  significa a destruição do humano no homem. Talvez nem precisa ser dito que a parafernália tecnológica não somente não resolve, como cria novos e terríveis problemas para o ser humano, simplesmente porque isso não está em conformidade com as leis naturais – a tecnologia, com seus objetivos pragmáticos e egoistas, atropela ao humano. Enquanto as máquinas evoluem, o homem involui e vê suas funções e saúde minguarem. A banalização da vida e dos significados se acelerou.
O homem é a sua compreensão e ela só pode ser adquirida e conquistada com um super-esforço. Toda essa civilização organizou a vida como se ela fosse um fim em si mesma onde tudo deve ser facilitado e gozado, enquanto que a vida deveria ser um meio para um fim, para o crescimento interior.
O homem se vendeu por “um prato de lentilhas”, por algo que consome e logo se dá conta que o aquilo pelo qual vendeu sua herança eterna desapareceu e que precisará vender pedaços de si mesmo, da sua vida, saúde, liberdade e felicidade para continuar a receber outros produtos perecíveis e falsificados. Caiu na armadilha mortal do materialismo!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s