Qual a Essência do Evangelho do Salvador?

O que é inegável para todos com uma mente relativamente normal e honestos que tentam ler e estudar as escrituras, os profetas e o Profeta Verdadeiro – Jesus, é que são elas simbólicas, parabólicas, enigmáticas. É evidente que aquilo que apresentam não pode ser tomado literalmente, em sua maioria – há um sentido externo e interno e, certamente, vários níveis de significado, exigindo, assim, condições especiais para aqueles que desejam realmente resolver os enigmas que ocultam.

Também é certo que a maioria dos relatos não tem valor histórico. O objetivo desses livros não tem nenhum compromisso com a comprovação histórica, mas contém um ensinamento especifico, preciso. Pode haver a percepção de contradições, violência, injustiças, que ao serem lidas superficialmente, são perturbadoras.

A questão da falsificação não é o foco aqui, porém, é evidente que elas existem tanto nos profetas do AT como no Evangelho. Esses documentos passaram por edições e censura. Os fundamentalistas se apegam a letra, o que revela o seu nível de entendimento concreto, material, literal. A tese deles, muito questionável, é que toda a escritura seria “inspirada” – produto divino. O Deus Vivo, fala a profetas vivos e a homens vivos. As escrituras são uma ajuda, em muitos sentidos, mas são obra de homens e, dependendo por quem e como são lidas são inúteis e até prejudiciais. Elas são letra morta e só se tornam vivas ao serem compreendidas e vividas.

Um questionamento frequente é por que não se explica com clareza, diretamente, aquilo que é apresentado envolto em mistério e enigmas? As respostas são complicadas, frustrantes. As escrituras são, na verdade, apresentadas por meio de uma outra linguagem, não só esquecida, mas que exige condições especiais de quem as lê. O simbolismo ali contido, aponta para as emoções, mais do que para o intelecto – esse é a sua apresentação por imagens, como nas parábolas. Os homens da Era atual, desde muito cedo, tiveram a sua psicologia desequilibrada e só as partes mais externas do intelecto funcionam – o computador biológico chamado mente lógica. No passado, as pessoas se encontravam em melhores condições para receberem esse material. Se, por acaso, tentássemos “traduzir” as escrituras numa linguagem dirigida ao intelecto formatório, “cientifico”, sensorial, toda a mensagem seria destruída e se revelaria uma conversa de loucos. Então, não há outra forma de apresentar as ideias e ensinamentos ali contidos.

O alvo das escrituras é interno, para chegar a alma, atravessando todos os sistemas psíquicos. Esse material não é, portanto, exotérico, mas esotérico no seu alvo.

Isso significa que aponta para uma mudança interior do homem. O homem tem um corpo físico organizado e, quando está saudável, funciona harmonicamente. Porém, sua psicologia está incompleta. Se uma pessoa não evolui interiormente, não pode compreender as escrituras e, ademais, as escrituras também são um meio para essa evolução. Tal como é “naturalmente”, desenvolvido pelas condições sócio/culturais, somos meio-humanos, voltados para fora, para o meio, controlados pelos sentidos, máquinas, autômatos que, sob certas influencias e segundo o nosso interesse pessoal, podemos crescer, evoluir interiormente.

O Evangelho fala dessa possível evolução, ao que chamam de renascimento! E tudo ali gira em torno disso, de um novo nascimento, de um novo corpo. O problema é que, devido as falsificações e más interpretações as assim chamadas “igrejas” ensinam que isso é para depois da morte física. Quando o Mestre diz: Eu sou o caminho, a verdade e a vida” está falando dessa evolução possível interior – psicológica, aqui e agora.

Já se disse que um homem é o que compreende. E essa evolução é íntima, pessoal, intransferível, individual. Todo o tema do Evangelho é o que devemos fazer, pensar, dizer e sentir se desejamos crescer, compreender. Somos uma semente capaz de germinar e assim, de transformação, de nos tornarmos uma outra coisa, superior, no nosso interior, no invisível. Esse caminho é voluntário, é empreendido por vontade própria e não pode ser forçado, estimulado, sob pressão ou ameaça. Se um homem decide não percorrer esse caminho, não precisa fazê-lo e assim, será descartado como pasto, como algo para ser consumido pelo fogo e funcionar como adubo.

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