Qual a sua velocidade?

O tempo é elástico, está determinado pela velocidade de funcionamento da psicologia do indivíduo. No caso, quanto mais lentas são as funções psíquicas, mais veloz é percebida a passagem do tempo; e ao contrário, quanto mais rápido funciona o indivíduo, mais lenta é percebida a passagem do tempo.

A estrutura psíquica humana está dotada de vários centros que compõem as funções do pensamento, do movimento, das emoções e do instinto. Além disso, daqueles centros inferiores, há centros superiores para o pensamento e para o sentimento que são infinitamente mais capacitados do que os centros, por assim dizer, básicos. Mesmo os centros de base contém partes onde seu funcionamento pode ser muito mais rápido e eficiente do que em outras partes. A assim chamada humanidade comum só funciona nas partes inferiores desses centros de base. Portanto, a vida, para a maioria, passa muito rápido, ou seja, a percepção é que quase nada fica e que as horas, os dias e anos passam excessivamente rápidos. Sob condições sociais, culturais pobres, em uma civilização decadente, essas condições de mau funcionamento se tornam “comuns” e “naturais” de modo que quase todos vêem a vida sob essa condição inferior e doentia.

Não é desconhecido hoje que a maioria reclama de que a vida esteja passando muito rápido, cada vez mais rápido e que os anos e décadas se sucedam aceleradamente. Os centros inferiores funcionando de forma equilibrada já é uma garantia de percepção do tempo satisfatória. Naqueles em que os centros superiores começam a funcionar uma dilatação do tempo será experimentada. Velocidades de mais de 30.000 vezes do funcionamento psíquico significam uma dilatação equivalente do tempo. Só imaginem 80 anos vezes 30.000.

240.000 anos seria uma vida suficientemente longa?

Ademais da possibilidade de viver muitíssimo mais ao conquistar uma condição superior de funcionamento há certos mitos que, se desfeitos, serão muito úteis no caminho.

Os valores de prestígio, sucesso social e material, os quais nos são ensinados e que são valores socias indiscutíveis ainda se acrescente que podemos mudar os rumos de nossa vida bastando desejar, com algum auxílio da sorte, das condições e fazendo o esforço certo. Ora, de fato, isso é uma ilusão – nada pode ser mudado de baixo para cima. O mundo criado permite uma “autonomia” muito restrita. A ação e a possibilidade que temos de determinar, de fazer é muito menor do que podemos avaliar. Um homem só muda, verdadeiramente, se ele evoluir internamente. Porque, finalmente, a vida é apenas um meio para um fim e não um fim em si mesma. O comando do universo está num nível superior, invisível e inacessível para os homens comuns, que não passaram por uma disciplina de escola esotérica. Esses só podem sonhar e sofrer a ação da máquina imensa que é esse mundo. Tudo o que se faz na inconsciência, automaticamente, na ignorância, não persiste, não muda efetivamente nada. O que se imagina ter sido feito pelo poder pessoal só se realiza eventualmente porque era para ser assim e não porque o fizemos com a nossa inteligência e meios. Além disso, há regras para agir nesse mundo. Há leis que, ao serem afrontadas serão um real impedimento para qualquer possibilidade de evolução interior. É o conhecimento e a obediência à Lei que nos abre o caminho para a auto-transformação e, portanto, mudar nossos destinos.

Quando agimos segundo a Lei certamente abrimos o caminho para a evolução pessoal, que não é acessível aos sentidos, e também as outras pessoas, mas isso não será, absolutamente, nenhuma garantia de mudança na vida pessoal, do mundo, daquilo que desejamos, queremos ou imaginamos que precisamos. Isso é assim também porque o objetivo de nossa vida não é o sucesso externo, mas interno. Em geral, todo o esforço de vida que não leva a um acréscimo da consciência de si, da percepção e conhecimento de si mesmo se desfaz em nada. As nossas “obras” são vãs sem uma real mudança interior. Sobre isso, uma mudança em como vemos o Tempo, pode começar a ajudar. O que percebemos com nossos sentidos só revela um mundo de aparências, irreal e enganador. É necessário ir além dos sentidos. Uma mudança da mente, uma metanóia é necessária para sair da caverna escura. 

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