O Cosmos

Macrocosmo e Microcosmo

 

Há duas teorias do Cosmos. O indivíduo passa por uma série de transformações mentais. As pessoas preferem imaginar que há um mundo, ou seja, constroem cosmogonias mentais.

Tomo essa passagem como significando que as duas teorias do Universo: a externa e a interna são as seguintes:

  1. O Universo “está em nosso cérebro”, e deste modo cada qual é o centro do Universo. A evolução do Universo é, então, uma série de transformações mentais e etapas de compreensão no homem. Cada um vê o Universo segundo o seu próprio nível; e assim é nessa etapa de compreensão, ou nesse nível; ou seja, que o Universo tem que ser todas as coisas a fim de que seja possível o nosso crescimento.
  2. A outra teoria é que imaginamos que os mundos externos e visíveis, os planetas e as estrelas, constituem o Universo, e isso é tudo quanto entendemos nessa colocação. Assim formamos cosmogonias em nossas mentes, guiando-nos pelas evidencias de nossos sentidos, e especulamos sobre hipóteses de nebulosas, ação à distância, gravitação, etc..

A primeira dessas duas teorias, aquela que disse que o Universo é uma série de transformações mentais, faz com que você e o Universo sejam idênticos. O Universo é algo que, por assim dizer, é dado a cada um de nós como uma semente, ou microcosmos dentro de si, para que o desenvolva como melhor lhe agrade. Como um microcosmos no homem, pode evoluir, ou não. Nossa própria luta interna em busca da luz se converte então no Universo que evolui.  Constitui o Universo em evolução ou retorno. Enquanto a essa evolução individual do Universo no homem, há etapas ou estados de compreensão que tem de passar-se. Há ciclos de recorrentes de acontecimentos mentais que são justamente similares, pontos de vista e experiências idênticas. Tal como uma viagem no espaço exterior as pessoas têm que atravessarem as mesmas zonas, assim nessa viagem interior (no aspecto psicológico), a compreensão chega a etapas precisas; e uma delas é aquela na que você tem que ver tudo como carente de sentido, mau e inútil, como se ‘fosse a obra de um demônio’. Essa atitude se desenvolve a certo ponto da vida interior, ainda quando já se tenha visto e compreendido o mundo de uma forma diferente. Por que, cedo ou tarde, termos que nos encontrar com esse ponto de negação? A negação significa dizer não, a atitude de não, a fascinação da negação, certamente poderosíssimo veneno. Unicamente direi que se pode refletir que, semelhante etapa, é algo que todos devem passar/alcançar, antes que possa surgir qualquer solução individual do significado da existência, e antes que possa despertar plenamente a compreensão ativa. Na escuridão do não o homem tem que depender inteiramente de si mesmo, tem que basear a sua confiança em tudo o quanto tem sentido e compreendido, e lutar para si (isso é o importante) afim de passar mais além dessa etapa, de maneira que só é possível passa-la por meio do que é mais genuíno, profundo e sincero em si mesmo. Os entusiasmos anteriores morrerão pois são intrinsicamente falsos; devem desvanecer-se o primeiro relâmpago de esperança que chega com cada nova compreensão; há que deixar-se de lado todas as coisas coletivas, toda a devoção externa, a fé como é entendida ordinariamente, e a crença que você sempre depende dos outros; pois você se encontra diante de um obstáculo interno que tão só ‘Eu mesmo’ posso passar, como se fosse minha própria cela que se abrirá com minha chave; minha marca individual estará nela.

 

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