O Eterno Retorno

Repetir, retornar, renascer, ressuscitar, voltar, é uma ideia que está presente na vida humana em todos os tempos e crenças.

O assunto não é uma questão de crença, de fé, de acredito, não acredito, mas de mudança, da possibilidade única de evolução interior e da consciência. Inegavelmente, até a ciência declara ser o tempo curvo, portanto, um círculo e a matéria, energia “concentrada”, portanto, impalpável.

Os sábios da antiguidade trataram o tema com atenção e o cuidado que necessita. Não é algo que o ser humano possa deixar de lado e pretender crescer em compreensão.

Aristoteles afirmou que ‘pois o tempo em si parece ser uma roda ou um ciclo’.

O médico pitagórico Alcmaeon disse que ‘o homem morre porque não pode unir seu fim com o seu principio’. Para a maioria, o tempo  que passa é o movimento ao longo de uma linha entendida entre o nascimento e a morte.

Proclo ensinou que ‘porém não é o tempo a imagem da Eternidade porque atua na perfeição da natureza terrena tal como a Eternidade é o que contém e preserva o ser?… As coisas que procedem da Eternidade e que não podem compartilhar uma perfeição estável, íntegra e imutável, se encontram sob o domínio do tempo’. (Apocatástase).

Tertuliano, um dos Pais da Igreja, define a ‘ressurreição dos mortos’ como a repetição, como retorno.

‘Deixa-me dizê-lo de uma vez por todas: toda a criação está sujeita à repetição. Toda a coisa que vês tem tido uma existência prévia; qualquer coisa que perdestes voltará novamente para vós. Tudo retorna uma segunda vez; todas as coisas regressam a uma posição estável quando partiram, todas as coisas começam quando deixaram de ser. Vão a um fim para poder novamente ser; nada se perde, salvo para ser novamente recuperado. Toda essa ordem giratória das coisas é, portanto, uma prova da ressureição dos mortos. Deus o dispôs em suas Obras antes de ordena-ló por escrito. O proclamou por sua força antes de proclamá-lo por sua palavra. Primeiro vos deu a natureza por mestra, com a intenção de, também autorgá-los a profecia, a fim de que tendo aprendido da natureza, possais mais facilmente crer na profecia.. Vós, homem de tão exaltada natureza, se vos compreendeis a vós mesmo, instruído pelas palavras de Pítia (“Conhece-te a ti mesmo”) Senhor de todas as coisas que vivem e surgem, morrereis para perecer eternamente? Aonde quer que tenha ocorrido a vossa dissolução, qualquer que tenha sido o agente material que vos tenha destruído, ou que vos tenha tragado, ou que vos haja varrido, ou que vos haja reduzido a nada, vos tornará a restaurar’.

 

 

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