O Alvo

Há muito mais mistério e aventura na vida pessoal do que a nossa “simples-mente” e imaginação podem sequer sonhar.

A vida está cada vez mais acidental e, portanto, sem sentido e materializada em um nível sub-humano.  Uma evolução seria sair desse nível de consciência mecânico, automatizado para uma condição onde se reconhece e se aceita a vida e, a isso chamamos destino, o que significa mais proximidade ao pessoal e individual, ao verdadeiro ser. Mas, o que foi a natureza e condição evolutiva dos antigos, que nos deixaram tantas obras significativas, válidas para qualquer época, deve-se reconhecer que nada semelhante apareceu nos últimos milênios. Há uma real evolução tecnológica em detrimento de uma involução humana. A consciência média, a mente, a saúde e emoções de nossos ancestrais inegavelmente estavam muito acima daqueles dos nossos contemporâneos. Pode-se dizer o mesmo da civilização e das sociedades. O sonho das soluções forçadas, impostas, violentas e coletivas se revela um fracasso em todos os níveis e assuntos humanos. A origem disso é o tomar a vida como um fim e não como um meio para um fim mais elevado e invisível – sutil. O paraíso terrestre por meio de soluções externas e materiais é uma verdadeira ameaça!

Entre os vários heróis que nos visitaram e nos deixaram uma herança preciosa de significados e ensinamentos esta Yaohushua-Miriam, Jesus, o Nazareno. Porém, não somente muito de seu Ensinamento foi alterado e perdido, como a própria humanidade decaiu a um nível que tem cada vez mais dificuldade de compreender essa obra fantástica.

Reproduzo aqui uma passagem do livro de Maurice Nicoll, The Mark, o qual trata magistralmente de uma parte do problema e ilumina a caverna e labirinto escuro, mostrando a direção correta da saída.

“Muitas palavras se empregam no Evangelho em um sentido especial. Não podemos supor que o Ensinamento que imparte o Evangelho não seja um ensinamento especial. Uma coisa é muito evidente: o ensinamento do Evangelho não trata dos propósitos da vida ordinária. Ao imparti-la, Cristo não tratou acerca de como chegar a ter bom êxito político, comercial, nas leis ou na medicina. Se referiu sempre a uma idéia especial, a uma ideia relacionada com o Reino dos Céus. Tratou acerca de como o homem pode ter um renascimento, uma evolução interior, uma transformação. E posto que falou sobre acerca de uma ideia especial enquanto ao Homem na Terra, empregou muitas palavras em um sentido especial. As empregou de um modo técnico, da mesma maneira que um químico, por exemplo, quando trata acerca das possíveis combinações e transformações de átomos elementares em inúmeras substâncias, fala uma linguagem técnica que não podem entender quem nada sabe de química orgânica. A química orgânica é a ciência que trata da transformação de uma substância em outra, e que em sua sua forma primitiva foi a alquimia. A alquimia partiu da ideia da transformação.

Porém, no caso de seu ensinamento, o tema de Cristo foi a forma mais elevada de “Química Orgânica”: a possível transformação do Homem em um novo homem. O Evangelho considera o Homem como um material que se tem de utilizar em um elo mais para a evolução interior. O considera um experimento da própria evolução. Se o explica, em suma, como uma semente semeada na Terra para o Reino dos céus; e o Reino dos céus representa um nível de desenvolvimento interno e latente no homem. Se semeia o homem na terra como material para que evolua por si mesmo enquanto toma contato com uma semeadura maior chamada “o Verbo do Reino”. Desde o ponto de vista do ensinamento cristão, o Homem na Terra é um ser incompleto, inacabado, sem aperfeiçoamento. E seu significado mais profundo está no fato de que sendo incompleto é, sem dúvida, um ser capaz de completar-se interiormente por meio de um novo entendimento e uma nova vontade. Não pode o Homem alcançar essa maior ou nova etapa de si mesmo por uma compulsão interna. Não a pode produzir nenhuma regra, nenhuma ordenança, nenhum mandamento obrigatório, nenhum ritual férreo, nenhuma coerção exterior. Completar-se, evoluir por si mesmo, renascer, tudo isso é cumprimento do Homem; e só pode produzi-lo através de si mesmo, por sua própria visão, compreensão e desejo de verdade, e pela aplicação a ela de sua própria vontade. Essa é a ideia suprema do Homem na Terra , a ideia que ensinou Cristo. Como uma semente do Reino semeada na Terra, o Homem pode, naturalmente, permanecer sendo semente, uma criatura terrena. Ou pode evoluir, ou não, ao escutar um ensinamento similar ao impartido por Cristo, levado por sua própria visão interior, seu próprio pensamento e captação íntima”.

A ideia de evolução, de salvação jamais pode ser automática, inconsciente, desmerecida ou imposta. E isso significa que tudo o que envolve essa ascensão é INDIVIDUAL, PESSSOAL.  A salvação vicariante (coletiva) pelo sangue alheio, pelo sacrifício de outro seria uma injustiça, uma insensatez. O almoço grátis no céu também não existe. O tempo é curto e as chances para a emancipação se perdem, como acontece quando erramos o Alvo! Um dos significados de pecar é errar o alvo. Mas, cada um sabe de si e é responsável por essa vida e oportunidade preciosa.

 

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