A Origem de Paulo de Tarso

Paulo faz questão, insistentemente de falar de sua origem, e faz isto confusa e contraditoriamente. Por que teria Paulo querido se justificar ou nos convencer de que tinha uma dada origem em detrimento de uma outra qualquer? Que importância isto tem para a sua doutrina? Caso ele fosse um Gentio, por exemplo, no que isto mudaria o valor daquilo que ele estava pregando? A origem de alguém é importante não somente segundo a etnia e costumes dos pais, mas também segundo a sua formação. Paulo estava tentando nos mostrar que ele tinha os pré-requisitos para ser um “apóstolo” quando discorria sobre seus antecedentes.

Em Atos 21:39 lemos: Mas Paulo lhe disse: Na verdade que sou um homem judeu, cidadão de Tarso, cidade não pouco célebre na Cilícia; Em 22:25,26, 27,28: E, quando o estavam atando com correias, disse Paulo ao centurião que ali estava: É-vos lícito açoitar um romano, sem ser condenado?

  E, ouvindo isto, o centurião foi, e anunciou ao tribuno, dizendo: Vê o que vais fazer, porque este homem é romano. E, vindo o tribuno, disse-lhe: Dize-me, és tu romano? E ele disse: Sim. E respondeu o tribuno: Eu com grande soma de dinheiro alcancei este direito de cidadão. Paulo disse: Mas eu o sou de nascimento. E em 23:6  E Paulo, sabendo que uma parte era de saduceus e outra de fariseus, clamou no conselho: Homens irmãos, eu sou fariseu, filho de fariseu; no tocante à esperança e ressurreição dos mortos sou julgado. Em Romanos 11:1 DIGO, pois: Porventura rejeitou Deus o seu povo? De modo nenhum; porque também eu sou israelita, da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim. Em Filipenses 3:5 Circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; segundo a lei, fui fariseu

                Temos aqui várias declarações de Paulo sobre a sua origem. Seu discípulo Lucas registra que Ele era um Judeu originário de Tarso na Cilícia, procurando escapar de uma situação difícil entre os judeus, ou talvez, possivelmente, dos Nazarenos – os originais primeiros discípulos de Jesus. Para não ser açoitado, declara-se cidadão romano de nascimento, isto é, de pais romanos, necessariamente. Ao ser acusado entre os judeus declara-se fariseu, filho de fariseu. Depois Israelita da descendência de Abrão, tribo de Benjamim e hebreu de hebreus, portanto, filho de pai e mãe hebreus e judeus.

Ser Judeu-Fariseu, Israelita, Hebreu e cidadão Romano são coisas diferentes e com diferentes significados. Paulo seria todos ao mesmo tempo e acrescente-se a isto, seu status de convertido ao ensinamento do Cristo – o que era absolutamente incompatível com ser romano, ou declarar-se judeu fariseu. Um Judeu-Fariseu não será, obrigatoriamente, um Israelita. Porque ter uma religião não significa praticá-la corretamente. E um Israelita é um adorador perfeito de Deus. Um hebreu é uma pessoa de etnia hebréia e não necessariamente da religião judaica, por exemplo. Um cidadão Romano de nascimento, necessariamente deveria ter um pai que fosse cidadão romano. Ora, o que Paulo declara não poderia ocorrer numa só pessoa. Se ele era hebreu de hebreus e fariseu de fariseus, não poderia ser cidadão romano de nascimento! Portanto, Paulo certamente mentiu por algumas razões as quais podemos examinar.

Para cada circunstância e para cada público Paulo fazia uma declaração que fosse mais compatível e trouxesse mais credibilidade à sua pessoa. Isto tem um significado fundamental: Paulo não tinha credenciais para fazer o que estava fazendo. Ele assumiu uma função e postura para a qual não estava preparado e não estava autorizado! Caso ele as tivesse – credenciais, autorização, capacitação, não precisaria, assim como todos os outros verdadeiros apóstolos de Jesus, que não falavam de si mesmos, mas somente pregavam a doutrina, dele justificar-se, defender-se através da alusão a sua descendência para ganhar alguma credibilidade ou ser visto com olhos mais benévolos. Na época, mesmo em cidades como Jerusalém, todos reconheciam os seus pares e, certamente, nem os Essênios Nazarenos, e nem os Fariseus reconheciam a Paulo como um dos seus. A autoridade de Paulo estava em sua associação com os Saduceus, que no momento, eram a seita que comandava a hierarquia sacerdotal na Palestina e os Saduceus estavam bem próximos dos Romanos –  e “negociavam” o poder com eles. Paulo não se declarava um Saduceu, caso o fizesse, não teria a menor chance de aproximar-se dos Nazarenos e seria rejeitado também pelos Fariseus. A sua origem, como ele a declarou, portanto, tinha somente um caráter político, de facilitar-lhe e franquear-lhe acesso a um ou outro grupo sem levantar demasiadas suspeitas e evitar dificuldades adicionais, ou ainda, melhor, dar-lhe alguma vantagem momentânea. Era uma questão de conveniência e não de fatos. É o que chamamos na linguagem policial e forense: falsidade ideológica!

Imaginem Jesus, o Filho do Homem e Messias declarando uma origem falsa, algo que não era, mas que insistia aparentar ser. Toda a sua credibilidade estaria destruída para sempre. Uma pessoa que falseia a sua origem, teme algo, ou deseja tirar vantagens de sua declaração falsa. Em qualquer hipótese, mesmo que Paulo tivesse falado rigorosamente a verdade, o que é bem difícil, há a complicada questão de querer aparentar ou valorizar-se pela sua procedência. E isto, vindo da parte de um discípulo e “apóstolo” de Jesus é absolutamente impensável. A escolha dos apóstolos por Yaohushua (pronuncia-se Iao–rrúchua), chamado de Jesus, uma helenização de um nome divino composto e significando “Deus Salvador” (dado a Ele, do Céu, antes mesmo de sua concepção), se fez de uma maneira muito especial porque, certamente, aqueles que foram escolhidos para serem os doze Apóstolos do Filho de Deus na Terra eram os melhores homens deste mundo. No Ensinamento 17:15 do Evangelho da Vida Perfeita, lemos: “Aqueles que não tomam sua cruz e seguem após Mim não são merecedores de Mim. Aquele que encontra a sua vida a perderá; e aquele que perde a sua vida por Minha causa, a encontrará“. E em 73:13 “Mas quando a Confortadora vier, a quem Eu enviarei para vós de Meu Todo-Pai, ainda a Ruach da Verdade, que procede do Pai e da Mãe, a mesma testificará de Mim; e vós também dareis testemunho, porque estivestes comigo desde o início.”

 Paulo, por outro lado, queria “ganhar a sua vida”, fazer as coisas ao seu modo, bem diferente do que preconizou o Mestre e do que fizeram os seus Apóstolos pessoalmente escolhidos.  Ademais, os Apóstolos não eram pessoas ilustres, importantes, até poderia se dizer que eram humildes, simples em sua maioria. Isto não significa que eram ignorantes ou incapacitadas. Pelo contrário, eram as pessoas mais adequadas escolhidas e preparadas pelo Mestre antes mesmo da formação do mundo. Eles não eram pessoas comuns, eram os melhores, mas para o mundo eram até medíocres, talvez – e ainda são vistos assim hoje. E eles não se importavam nem um pouco com isto – com o que os outros pudessem pensar e dizer ou com o que lhes pudesse acontecer. A eles lhes foi prometida a regência do mundo vindouro, o que não é fácil nem de imaginar. Os títulos deste mundo não lhes importavam e menos ainda sua origem terrena. Ainda no Evangelho da Vida Perfeita lemos 31:11 Respondeu-lhes Yaohushua: “Não tenho Eu escolhido a vós, os doze, e um também que é um traidor?”. Falava de Judas Iscariotes, o filho de Simão, o Levita, pois era quem O trairia 44:5 “Sois os meus doze escolhidos. Em Mim, o dirigente e a pedra angular, sois as doze fundações da Minha casa construída sobre a rocha e sobre vós. Em Mim, Minha Congregação será construída e em verdade e justiça Minha Congregação será estabelecida. “E vós sentareis sobre doze tronos e enviareis luz e verdade a todas as doze tribos de Israel pelo espírito, e serei convosco, ainda até o fim do mundo. 95:2 E quando O viram e Ele esteve em seu meio, eles O adoraram. Alguns duvidaram. E Yaohushua falou-lhes dizendo: “Percebei, Eu vos escolhi dentre os homens e vos dei a Lei e a Palavra de Verdade”. Os doze Apóstolos tinham toda a autoridade e preparo procedendo diretamente e pessoalmente, durante 24 horas do dia, durante o ministério do Mashiakh, o Cristo e isto lhes dava toda a condição e segurança para pregar o Evangelho do Reino, sem qualquer outra credencial e descendência especial. Paulo precisou, por outro lado, de títulos e demonstrar seus antecedentes. Imagine-se o Cristo bradando que era filho de David e, portanto, um príncipe, um Rabino Essênio, para fazer valer as suas palavras. O Mestre cumpriu todas as profecias sobre ele mesmo e demonstrou ser o Messias esperado, como era necessário. Paulo tem origem obscura, não comprovada, porém, insistentemente auto proclamada, o que sugere que lhe faltavam elementos e condições reais para ser um discípulo e um apóstolo de Jesus – daí sua necessidade de fazer valer seus títulos e descendência.

Ainda, o que parece mais provável, é que Paulo queria deliberadamente ocultar quem era, como fazem os agentes para se infiltrar e destruir.

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