Dor e Saúde

É uma lei da sobrevivência que os seres vivos fujam da dor e procurem o prazer.

Quanto desta lei se cumpre hoje nos humanos? É certo que a natureza sempre faz valer suas regras e as impõe por bem ou por mal. Nos homens, assim chamados civilizados, o instinto de sobrevivência está quase extinto e, assim, lhes é imposta uma lei mais impiedosa na forma de dor, que poderia ser evitada, e nenhum prazer espontâneo é experimentado, a não ser aquele artificialmente produzido.

 

A lei máxima da vida chama-se auto-preservação que tem como seus dois principais guias a dor e o prazer.

É através da sensação de dor que o homem é advertido de tudo o que tende a destruí-lo e, pela sensação de prazer é levado e atraído para tudo o que tende para a sua preservação e aperfeiçoamento. Mas paradoxalmente, a dor pode levar, por vezes, a auto-preservação quando, mesmo sob o aguilhão da dor, a suportamos para salvar-nos (como no caso de permitir o nosso corpo ser cortado, ou manipulado para evitar um mal maior). Ainda, há situações, que não são raras, onde o processo de recuperação da saúde realizado pelo próprio organismo é desagradável e doloroso – cuja dor é para a cura e alívio (gripes, inflamações, cicatrização de feridas, etc). Assim, mesmo que a dor seja um guia seguro de alarme, as causas desta sensação podem ser bem distintas: ou é o efeito imediato de algo danoso ao organismo – que devemos fugir, ou uma reparação a um dano mais antigo – que devemos suportar. Por outro lado, assim como o prazer pode ser uma indicação de uma direção útil para a vida e saúde, às vezes, quando levada ao exagero, pode se transformar em causa de injúria. O prazer que é perseguido com luxúria e ignorância conduz a destruição porque está contra a lei da vida e da saúde.

Sempre, tanto a dor como o prazer, são guias fundamentais para a sobrevivência, porém sem instrução o homem pode interpretar incorretamente estes sinais. O motivo disto é que os seus sentidos podem estar pervertidos por drogas (prescritas, legais e ilegais), alimentos, estimulação artificial dos apetites naturais e a criação de outras necessidades artificiais condicionadas pela cultura. Os sinais naturais de alarme e de cura não são corretamente interpretados por aqueles em que os instintos estão alterados.

Ao conhecer as funções e o alcance da dor na vida, isto capacitará uma pessoa a comportar-se adequadamente e sabiamente diante desta sensação.

Naqueles em que os instintos estão reprimidos ou alterados somente os sinais mais intensos de dor e prazer são identificados. É um prejuízo tentar suprimir a dor como é freqüente e generalizadamente feito através de drogas. A dor tem várias funções além do aviso de perigo a integridade. Ela obriga ao sofredor buscar compreender sua causa, assim como reexaminar sua vida e valores. O tratamento da dor pelos remédios é, freqüentemente, uma atitude simplista e perniciosa porque ignora a causa, tentando encobrir o efeito e anestesia a consciência do sofredor cegando-o da origem do seu sofrimento. Não seremos jamais premiados pelos nossos erros, e a Natureza sabiamente nos reservou auto-punições às nossas auto-agressões.

O que deve ser eliminado, finalmente, não é a dor em si, mas o que levou a dor e o que mantém a dor e o que levará, certamente, a mais dor no futuro. A dor é, geralmente, uma reação fisiológica benéfica para nos advertir, ela não é somente a causa de nosso sofrimento, mas um guia para eliminar o sofrimento. Ao suportar e compreender a dor aqui e agora, pode-se evita-la no futuro. Somente o reconhecimento de nossos erros e o retorno aos bons hábitos pode livrar-nos das dores presentes e futuras e levar a compreensão das passadas. O temor irracional da dor é uma conseqüência direta de uma civilização que traz na medicação, uma solução inadequada da dor. Quanto mais anestesiada estiver uma pessoa, mais incapaz de sentir os danos de seu mau comportamento e da exposição a situações de perigo (por exemplo, quando alguém toma um sedativo para uma dor lombar e acaba por provocar uma lesão permanente na medula porque faz movimentos que a dor não lhe permitiria fazer). E também, neste estado anestesiado, precisará de estímulos fortes, pervertidos, violentos e brutais para sentir prazer. Os cientistas reconhecem que o medo aumenta a sensação dolorosa, e a paz e equilíbrio a diminuem a níveis suportáveis.

É certo que não podemos recuperar a saúde perdida e evitar adoecer se não conhecemos e obedecemos às leis da vida, entre as quais está a lei da auto-preservação garantida pela sensação de dor e prazer. A dor, portanto, é nosso guia e companheiro de vida que devemos suportar com resignação, mas não sem inteligência, para curar-nos. Se sentimos dor, existe sempre um motivo justo e é imperioso que saibamos o porquê.

A saúde é função da obediência às leis da natureza, e a dor é um dos instrumentos pelos quais a natureza nos ensina sobre como preservar a vida, não adoecer, como manter a saúde e como recuperá-la quando a perdemos.

 

 

 

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