Evolução e Auto-Evolução

Quando se fala em evolução o que vem à mente da maioria é de uma evolução “natural” inconsciente, automática e produto de mutações casuais e que depois de milhares ou milhões de anos levaram a formação do universo, da vida pela abiogênesis, da evolução das espécies, e que resultou, finalmente, no homo sapiens, um produto acabado e estável que, segundo as mesmas hipóteses evoluirá, inexoravelmente, depois de milhões de anos em outras espécies mais “adaptadas” que a atual – ou seja, que o homo sapiens dará lugar a uma outra ou a outras espécies mais “evoluídas” – isso sempre produto do “acaso”, de mutações genéticas casuais. Dentre todas essas casualidades fantásticas a única de que não se fala, ou mesmo nem se imagina, é a evolução psíquica, interna, do pensamento e do sentimento até um nível muitíssimo superior àquele do homem comum e que, por outro lado está em todas as doutrinas assim chamadas esotéricas, particularmente a do Mashiakh Yaohushua (Jesus, o Cristo).

Paradoxalmente, a civilização atual, continuação dos gregos e romanos do passado, age como se a sua condição atual psíquica é de plena consciência, vontade, que as pessoas possuem um eu, um pensar coerente e que tudo poderá ser obtido a partir dessa suposta condição psíquica acabada, perfeita, e que qualquer acréscimo dela seria somente se houvesse uma evolução física, o surgimento de uma nova espécie. Ou seja, admitem e esperam que haverá uma complicada e virtualmente impossível evolução casual, sempre numa direção de melhora, a partir de um processo mecânico e inconsciente, enquanto não conseguem compreender que o homem nas suas condições naturais está psiquicamente incompleto e que a única evolução possível é interior e não a imaginária e impossível evolução física por um mecanismo completamente fantástico e supersticioso.

O que chamamos de Cristianismo Esotérico, de Psicotransformismo, de o Caminho, parte de que o Homem é um experimento de auto-evolução, de transformação psíquica, e que essa é a única possibilidade real e que faz sentido para aqueles que estão insatisfeitos e conseguem perceber a insensatez da vida, de que há muita coisa mal explicada e mal contada e que as saídas e teorias “científicas” são todos muito questionáveis. Para aqueles que, por outro lado, estão satisfeitos e acreditam nas histórias que lhes contam os políticos, os sacerdotes e os cientistas terão que esperar por um possível, talvez, futuro daqui há muitos milhões de anos – mas, há ainda aqueles que se acham muito coerentes e acreditam que tudo ficará bem de uma maneira “milagrosa”, que a democracia, a ordem, a justiça e a ciência lhes brindará com um futuro próximo perfeito!

Não compartilhamos das crenças supersticiosas desses homens apoiados em seus sentidos, de mentes lógicas que acreditam em coisas tão contraditórias e impossíveis e que se acham psiquicamente confiáveis ou perfeitos. Não, nós sabemos que não somos confiáveis, que nosso estado atual interior é um caos, que somos uma nulidade, que somos incoerentes, que andamos em círculos, como nossos ancestrais e que as teorias originadas da vida são frágeis e erráticas e sempre substituídas por novas, também questionáveis. Sabemos que o que precisa e pode ser mudado e o que pode verdadeiramente evoluir aqui e agora, nessa mesma vida é o nosso psiquismo, o invisível e não o visível, o material. Não podemos mudar nada, o mundo, os acontecimentos, mas podemos mudar como vemos e reagimos ao mundo. Ou seja, podemos, com a ajuda de ideias que vem do Círculo Consciente da Humanidade, mudar a nós mesmos, adquirir um Eu Real, uma Consciência e uma Vontade, que atualmente não possuímos.

Somos um experimento em auto-evolução que pode, como todo experimento, dar certo ou errado. Dar certo significa que um número suficiente de homens atinja um grau de evolução requerido pelo que para nós é divino e dar errado é que toda a possibilidade de evolução interior não seja mais possível. Caso isso aconteça, como parece que já aconteceu antes por aqui, nesse velho planeta, seremos reduzidos ao que hoje são as formigas e os cupins, que segundo lendas antigas afirmam, esses seres foram um experimento em auto-evolução semelhante ao nosso que falhou, como o atual pode também falhar e sermos reduzidos ao que foram, por vontade própria as formigas e os cupins. A atual tendência política, social e cientifica aponta para o mesmo destino de nossos ancestrais em inteligência e poder. As experiências químicas, hormonais e sociais, reduzindo cada vez mais as diferenças e levando a uniformidade e ao coletivo e alterando artificialmente o meio ambiente, levarão à “sociedade perfeita” ao “domínio da natureza” e assim, perderemos toda a nossa possibilidade de sermos indivíduos e de uma evolução interior.

A Ciência da Biogenia

A Essência do Movimento Essênio

Quando em 1924 o Dr. Edmond B Szekely descobriu na Biblioteca do Vaticano o Evangelho Essenio da Paz assinado pelo apóstolo João, em aramaico e o traduziu, tomou a decisão de testar experimentalmente durante os próximos 40 anos todos os princípios para a vida que estavam no Livro I. Dos resultados desse imenso trabalho científico nasceu a Biogenia, uma ciência completa da saúde, em primeiro lugar.

Os Essênios demonstraram que podiam viver com eficiência no deserto, produzindo mais e melhor do que aqueles que viviam nos oásis da região cujo centro era Jerusalém, na época. Eles não sofriam nenhuma doença e atingiam os 120 anos facilmente, numa época que a maioria atingia penosamente os 50 anos.

Os Essênios foram os primeiros discípulos do Mashiakh. E deles derivaram a grande maioria, senão todos, os profetas de Israel – o maior de todos, o Profeta Verdadeiro, Yaohushua (Jesus), nasceu numa família de essênios, descendentes diretos por pai e mãe do profeta e mashiakh David.

A comunidade Nazaré, aos pés do Monte Carmel, era de essênios – os judeus rejeitam os Nazarenos como cidadãos de segunda classe (fizeram o mesmo com todos os profetas – coincidência?).

Yaohushua (Jesus) apoiou toda a sua doutrina sobre os princípios de pureza e saúde de seus ancestrais Essênios. Os fundamentos de sua doutrina são todos Essênios – batismo, alimentação vegetariana, jejuns, vestimenta, cabelos, asseio, 12 apóstolos e 3 mebakerins, justiça, cosmologia, Kaballah e muito mais.

Os achados científicos dos Essênios agricultura são usados hoje pelos israelitas, no deserto, com sucesso absoluto.

O ponto a ser observado é que não há nada a ser acrescentado pela ciência ou pela filosofia, política, sociologia que tornaria a vida mais eficiente e mais adequada a evolução psíquica e espiritual do que foi estabelecido por Jesus há mais de 2.000 anos. E mais, ao retirar qualquer desses conhecimentos científicos e verdadeiros não há nenhuma possibilidade de avanço social, político e na Saúde.

O desastre do assalto do império romano sobre a Congregação Nazarena se reflete hoje e no passado bárbaro recente na ridícula “civilização judaico-cristã”, ou seria greco-romana? A civilização regrediu quase a barbárie e não é demais dizer que o Homem de hoje é muito inferior ao Homem de 2.000 anos atrás – só evoluíram as máquinas e as formas sofisticadas de escravidão das repúblicas democráticas (pagãs).

A rejeição ao Ungido é total e absoluta e o que se faz hoje na religião, ciência e política é uma miserável enganação e falsificação.

Saúde e Limpeza

Dando continuidade ao tema tratado à pouco, como um exemplo relevante de como essa questão foi tratada entre os Essênios, precursores do Mashiakh Yaohushua (Jesus) vem abordar a questão sob um outro ângulo, pouco tratado em nossa época. Deve-se lembrar que os Essênios, assim como os Nazarenos, banhava-se todas as manhãs e em várias outras ocasiões – por exemplo, sempre antes de cada refeição. O Código Essênio da Vida de Flávio Josefus traz essa questão assim:

O Fundamento Natural da Limpeza

Josefus – Por que está a limpeza incluída entre as virtudes naturais?

Banus Porque é, em realidade, uma das mais importantes entre elas, por conta de sua influência poderosa sobre a saúde e a preservação do corpo. A limpeza, tanto quanto na vestimenta e na residência, como no alimento, evita os efeitos perniciosos da umidade, odores nocivos e exalações contagiosas, procedentes de todas as coisas abandonadas à putrefação. A limpeza mantém a transpiração livre, renova o ar, refresca o corpo, inclina ainda a mente para a alegria. Disto deriva que as pessoas atentas à limpeza de seus corpos e residências são, em geral, mais saudáveis e menos sujeitas à doença do que as que vivem na imundície e na degradação; e é, além disso, notado que a limpeza abriga, através de todos os ramos da administração doméstica, hábitos de ordem e arranjo que são os principais meios e primeiros elementos da felicidade.

Josefus – Imundície ou sujeira são, então, vício segundo a lei cósmica e natural?

Banus Sim, tão real como a embriagues, ou como a preguiça, das quais em grande medida derivam. A sujeira é a segunda causa, e frequentemente a primeira, de muitos inconvenientes e ainda de horríveis desordens; é fato em medicina que ela traz a sarna, a escrófula, a lepra, tanto quanto o uso de elementos azedos e contaminados; que ela favorece a influência contagiosa da praga e febres malignas, que predispõe a reumatismos, por incrustar a pele com sujeira, e daí impedindo a transpiração; sem mencionar a vergonhosa inconveniência de ser devorado por vermes – o louco acréscimo da miséria e da depravação. A maior parte dos antigos legisladores, portanto, consideravam a limpeza, que eles chamavam pureza, como um dos mais essenciais dogmas de suas religiões. Foi por esta razão que eles expulsavam da sociedade, e ainda puniam corporalmente, aqueles que estavam infectados por enfermidades produzidas pela falta de asseio; que eles instituíram e consagraram cerimônias de abluções, batismos, e de purificações, ainda que por meio de fumos aromáticos de incenso e mirra, etc.; assim ocorreu que todo o sistema concernente àqueles ritos de coisas puras e impuras, degenerado dali em abusos e preconceitos, foi originalmente fundado somente na observação judiciosa que homens cultos e sábios haviam feito da extrema influência que a limpeza no alimento, vestuário e habitação exerce sobre a saúde do corpo; e por consequência imediata, sobre a saúde da mente e das faculdades morais. Assim, todas as virtudes individuais têm por objetivo, mais ou menos direto, mais ou menos próximo, a preservação do homem que as pratica; e pela preservação de cada homem, elas conduzem à preservação das famílias e da sociedade, que são compostas da soma dos indivíduos”.

O que é o Cristianismo

A doutrina original ensinada pelo Mashiakh e seguida pelo seu irmão James (O Thiago da bíblia romana) não é a doutrina dos cristãos de hoje. Em todas as suas manifestações, religiões e seitas atuais, derivadas do concílio de Nicea no século IV, o assim chamado cristianismo como veio a ser conhecido em todas essas formas originadas do assalto do Império Romano sobre a Congregação Nazarena Essênia Ebionita, originalmente deixada sob os cuidados e comando de Jaime (Thiago), o Justo, irmão de Yaohushua (Jesus), não é a doutrina original pregada pelo Mashiakh. Os Nazarenos, que adotavam o mesmo nome sob o qual O Mestre foi originalmente conhecido, Yaohushua, o Nazareno, não se chamavam de “cristãos”, mas se conheciam como, os Nazarenos.

Os cristãos são, entretanto, os fiéis que foram obrigados pela força, a aceitar as imposições do império da sua nova religião estatal.  Hoje, depois de dezesseis séculos e muitas mudanças e a multiplicação de seitas e formatos, todos baseados nos mesmos dogmas e na bíblia romana, tudo parece ter ocorrido “normalmente” e “suavemente” e que a doutrina de hoje seria a mesma pregada pelo Salvador. Na verdade, pior do que a negação completa dos ensinamentos, o que surgiu foi uma nova e completamente diferente fé que se opõe violentamente e radicalmente a doutrina original.

Portanto, os cristãos atuais não são, nem aproximadamente, os Nazarenos dos primeiros anos após a ressurreição porque toda a alma da doutrina original nazarena foi suprimida pelo império romano (inimigo visceral do Mashiakh) e o que restou foi uma casca, um cadáver. Os atuais fiéis são vítimas inadvertidas desta terrível conspiração que mutilou e deformou a fé nazarena original.

A essência da fé original e sobre o que se apoia, foi retirada e apagada, não sem violência – todos os líderes do movimento nazareno foram mortos pelo império e o centro da doutrina, suas ideias principais foram apagadas ou mudadas. É importante resgatar o que foi perdido e maliciosamente manchado para tirar o poder evolutivo pessoal e desloca-lo para uma organização eclesiástica e estatal, como é hoje o vaticano, ou outras seitas sob a tutela de líderes que nada sabem da doutrina original.

A doutrina que ensina que você somente necessita que Jesus tenha morrido por seus pecados para ser absolvido de todos os seus pecados passados, presentes e futuros pode ter alimentado mais desgraças sociais do que se possa imaginar. Por outro lado, tivesse a doutrina original prevalecido (O Caminho), que promove responsabilidade pessoal e compromisso através de consequências de seu próprio agir, o mundo seria outro.  É evidente que há muitas outras questões que podem, por comparação, revelar a extensão do que foi mudado.

Os muitos achados arqueológicos e os estudos por pesquisadores imparciais levantaram questionamentos sobre a legitimidade das atuais igrejas e, para aqueles que se interessam, abriram um mundo de ideias e conhecimento que ficou oculto por muitos séculos.

O atual formato da civilização baseada nessas meias verdades espirituais e nos valores pagãos de Roma e Grécia fizeram do homem ocidental um títere controlado desde o exterior pelos fios invisíveis dos valores sob os quais foi educado. Não importa como o Homem ocidental se defina, como crente ou descrente, o fato é que está sob os mesmos poderes que os pagãos de dois mil anos atrás – não há nada nele capaz de resistir a sua própria personalidade, ao autômato de carne que comanda a sua vida, via sentidos e mente lógica.

Saúde e Higiene Corporal

Para se dar conta de como e porque a higiene, banhos, são um aspecto fundamental da saúde e o quanto foram e são negligenciados ou se prestam a indulgência, trazemos algumas referências históricas e, creio que cada um de nós tenha as suas histórias sobre as fobias relativas à higiene.

Gregos e romanos tinham como fatores culturais centrais os banhos, também os japoneses e havaianos. Não há muito que duvidar que os maus hábitos de higiene no ocidente têm suas raízes na perversa filosofia religiosa. Os malefícios da imundície corporal são inumeráveis, entre os quais a lepra.

Um dos sinais evidentes da falsidade da religião oficial de Roma (quando Constantino supostamente se converteu ao “cristianismo) imposta ao ocidente está na total oposição entre seus costumes e aqueles dos Nazarenos e Essênios. Entre os Nazarenos (os seguidores de Jesus) os banhos mistos nus eram a regra diária. Os banhos foram não só desencorajados pela igreja, mas punidos como lascívia. Nos conventos, até hoje, as noviças são obrigadas a se banharem com vestes para não tocarem o próprio corpo. Os europeus, ainda hoje, evitam os banhos. A religião romana associou a imundície a santidade – quanto mais imundo, mais santo!

São Jerônimo não se banhou por quarenta anos. A rainha Isabel de Espanha, que financiou Colombo, foi banhada quando nasceu, no dia do casamento e depois de morta. Recebeu três excepcionais banhos completos durante toda sua vida. Um famoso juiz inglês jamais se banhou e nunca trocou suas roupas. Novos mantos eram colocados sobre os antigos que eram deixados apodrecerem e se desfazerem. Aonde quer que ele ia, vermes e percevejos caiam de suas roupas. Muitos foram acusados pelos tribunais de heresia ou infidelidade por ousarem se banhar.

“Banhar-se, sendo agradável assim como saudável, era particularmente uma terrível ofensa; e a nenhum homem era permitido nadar aos Domingos”… Banhos são um costume pagão, todos os banhos públicos devem ser destruídos – assim como todas as banheiras residenciais”. Essas eram as ordens dos clérigos cristãos.

A história continua num próximo artigo.

O Reino do Céu

A menos que um homem compreenda que o Reino do Céu não é um “lugar” ao qual entrará depois que morra por seus supostos méritos e porque pertence a essa ou aquela religião e por sua crença particular – como se tratasse de algo no futuro, estará impedido de se tornar um discipulo. Esse lugar está nele mesmo, em potência, e é um estado a ser conquistado agora, nesse mesmo momento. Assim, independe do futuro. No caso, a concepção de tempo, que é trazida pelos sentidos, é um obstáculo ao despertar do pensar.

Tudo o que se refere ao tempo (presente, passado e futuro) e a matéria, capaz de ser percebida pelos sentidos e compreendida pela mente sensual lógica (científica materialista), está infinitamente distante do significado do Reino do Céu como apresentada no Evangelho.

Não há nada no futuro como imaginado por quem está sob o domínio dos sentidos e da lógica derivada deles. A esperança de alguma coisa futura que venha resolver os problemas, desde sempre, é frustrante. Se há um futuro, esse reside numa mudança de estado, de pensar – o futuro depende de uma radical mudança pessoal do pensar.

A humanidade está completamente dominada por essa ilusão incluindo o indivíduo. Ao considerar que a vida é difícil e impossível de compreender, todos sentem, naturalmente, que a saída é o amanhã! Mesmo que uma pessoa tente fazer alguma coisa a respeito, sempre considerará o amanhã como a porta da saída.

O paradoxo é que o materialista de fato, o Homem médio, acaba por sucumbir a mais primária das superstições declarando crer sem compreender (“acredito em Deus, no céu para aqueles que morrem sendo de sua religião e o inferno para os maus e dos que não são de sua fé”), muito próximo do comportamento de povos primitivos decadentes e daqueles que tanto critica, como os “gentios”.

A Vontade Divina

“Seja feita sempre a vossa santa vontade, assim na terra como no céu”

A doutrina pregada originalmente por Yaohushua, o Mashiakh é, certamente, o conjunto de ensinamentos mais positivo e isento de qualquer emoção negativa quando comparado com qualquer das outras assim chamadas religiões. Nenhuma ameaça, nenhuma punição, para aqueles que escolhem não seguir a esses ensinamentos e, por outro lado, promessa de salvação e de um paraíso para aqueles que seguem 100% de sua doutrina – 100%!

As igrejas surgidas da destruição e perseguição dos discípulos diluíram e alteraram a doutrina original para adaptá-la, em primeiro lugar, ao império romano, e em seguida, aos “gentios”, aqueles que de alguma maneira desejavam conhecer a doutrina e todos outros que, não desejando (sendo de outras crenças), foram obrigados, sob a ameaça da tortura e da morte a seguir a nova religião de estado de Roma. O fato de muitas coisas terem sido “atenuadas” e modificadas tem duas consequências: essas igrejas não pregam a mesma doutrina original do Mashiakh e não estão comprometidas com nenhum reino do céu, mas apenas com um reino terrestre.

Se hoje, por acaso, essas igrejas não fazem uso da força, pela tortura e pela morte sobre aqueles que não desejam seguir seus preceitos é porque a situação política mudou ao longo destes vários séculos, mas não porque seus dirigentes tenham ficado benevolentes. O fato é que seu poder de intimidação armada acabou, por hora.

Então vejamos, o Mashiakh e todos os seus discípulos, foram massacrados pelos poderes terrenos, pela estupidez e violência sobre a qual se apoiavam esses governos. Esses poderes são exatamente os mesmos que assaltaram a Congregação do Mestre e hoje, posam de herdeiros legítimos da doutrina do Mashiakh – editaram e publicaram até uma “bíblia”.

A lei enunciada na oração do filho ao Pai, o “Pai Nosso”, diz claramente que a vontade de Deus não se cumpre na Terra. Mesmo assim, as pessoas continuam a pautar a sua vida inteira – se são crentes, em dizer que tudo é a vontade de Deus (coisas boas e más) e, se são descrentes, afirmam que as desgraças da vida são um sinal claro de que não há Deus. As confusões e violência são produtos imediatos desse conceito errado porque os crentes também costumam acusar a todos que passam por dificuldades e acidentes de estarem sendo castigados pelos seus pecados e por não pertencerem a sua crença. Muitos perdem sua fé e trocam de igreja em função de seu sucesso ou desgraça na vida. Já imaginaram a perturbação e mal-entendidos decorrentes de encarar a vida assim? Curiosamente há igrejas que afirmam que ao adotar a sua fé as pessoas enriquecerão e que também, os fracassos financeiros são sinal de estarem pecando. Daí para arrancarem até o último centavo dos incautos garantindo que se “derem para Deus” seus bens serão multiplicados é um simples passo!

Há duas passagens em Lucas (evangelho) que revela a insanidade e erro dessa maneira de ver a vida. Porque sim, na vida tudo acontece da única maneira que pode ser e não há nada que se possa fazer, da maneira que se imagina, para mudar isso. Lucas XIII, 1-5 onde Pilatos assassina a vários galileus e depois sobre a torre de Siloé onde vários inocentes são esmagados e Jesus lhes disse: “pensais que esses são mais devedores que todos os outros que habitam Jerusalém…? e completa: “Não, vos digo, antes, se não vos arrependerdes, todos perecereis da mesma forma! Está claro que os males que as pessoas sofrem na vida nada tem a ver com castigo divino e é muito incorreto tomar-se dessa forma? Buscar a Deus nas ocorrências da vida, indagar nela com ansiedade, apoiando-se sempre no externo e deixando-se sempre influenciar pelo que ocorre fora e por todos os incidentes que se sucedem, é perder por completo o que Jesus ensina.

Essa também é uma das causas da separação fatal entre a ciência e a religião. Atentem para que Yaohushua (Jesus) refuta completamente e cabalmente essa ideia externa de religião, a ideia que se apoia nos sentidos.

Yaohushua diz que a menos que um homem se “arrependa” ele é um ser totalmente inútil e sofrerá um destino comum e sem nexo. Esse homem sofrerá um destino comum a todos os outros sejam eles: bons e maus, virtuosos e ímpios, morais e imorais.

Ora, a palavra arrepender-se foi miseravelmente traduzida de forma a confundir totalmente o sentido de todas as passagens onde a palavra aparece. Na verdade, o sentido moral, emocional da palavra arrepender-se, no sentido de reconhecer seus próprios erros é completamente incorreta. Na verdade, a palavra traduzida assim é a palavra grega metanoia  (meta – além e noia – mente), ou transformação da mente, ou ir além da mente natural!

O que o Mestre diz, portanto, é que se exige uma mudança absoluta e radical na mente, nos pensamentos e na maneira de pensar, sem o que a vida seguirá sendo sem nenhum sentido e, ademais, que um homem nessas condições não entrará no Reino do Céu. Essa nova mente só é possível a partir da recepção de novas ideias que vem do Evangelho original e assim, do círculo consciente da humanidade. E esse é o motivo da advertência do início do artigo que enfatiza que tudo o que é possível para o homem passa precisamente pela contato e recepção dessas ideias as quais tem o poder de mudar a mente, de levar o homem a ver o mundo de dentro para fora e não através de seus sentidos (do exterior) e pelas ideias semeadas pela cultura e pela civilização, seja da ciência ou religião do homem inconsciente e automatizado.

Luigi Cornaro – A Influência Essênia

O CÉU NA TERRA E A ETERNIDADE:  A INFLUÊNCIA ESSÊNIA

        “Com a idade de noventa e um, estou mais forte e vigoroso que nunca, para o grande espanto daqueles que me conhecem. Eu, que posso relatar isso, estou fadado a mostrar que um homem pode gozar de um paraíso terrestre depois dos oitenta; porém não há de ser alcançado, se não houver estrita temperança na comida e bebida, virtudes aceitáveis para Deus e os amigos da razão.  Durante estes últimos dias fui visitado por muitos médicos estudiosos desta universidade, bem como por médicos e filósofos que estavam bem cientes da minha idade, vida e costumes, e também que eu era forte, vigoroso e ativo, meus sentidos perfeitos, também minha voz e dentes, igualmente minha memória e julgamento. Sabiam, além disso, que eu ocupava constantemente oito horas a cada dia, escrevendo tratados de próprio punho, sobre assuntos úteis para a humanidade, e passava muitas horas caminhando e cantando”.

        “Esses médicos e filósofos me contaram que era algo próximo a um milagre, que na minha idade eu conseguisse escrever sobre assuntos que requeriam bom julgamento e espírito, e acrescentaram que eu não deveria ser visto como uma pessoa de idade avançada, já que todas minhas ocupações eram as de um homem jovem, e que eu era no geral diferente das pessoas idosas de setenta e oitenta, que estão sujeitas a vários achaques e moléstias, que tornam a vida uma canseira; ou, se por acaso escapam de qualquer uma dessas coisas, contudo seus sentidos são afetados, a visão, ou audição, ou memória ficam defeituosas, e todas suas faculdades muito decaídas; não são fortes, nem alegres, como eu sou. E além do mais eles disseram, que me viam como tendo recebido especial graça, e falaram muitas coisas eloqüentes e bonitas, tentando provar isso, que contudo não conseguiram fazer;  pois os argumentos deles não eram baseados em razões boas e suficientes, mas meramente na opinião deles.  Portanto procurei tirar o engano deles e corrigi-los, e convence-los de que a felicidade que eu desfrutava não estava confinada a mim, mas poderia ser comum a toda humanidade, já que eu era um mero mortal, e não diferia em nenhum aspecto dos outros homens, exceto nisso, de que tinha nascido mais fraco que alguns, e que não possuía o que se poderia chamar de constituição forte.  O homem, entretanto, nos seus dias de juventude, está mais sujeito a ser guiado pela sensualidade do que pela razão; no entanto, quando ele chega à idade de quarenta, ou mais cedo, ele deve lembrar que chegou mais ou menos ao cume da colina, e agora deve pensar em descer, carregando o peso dos anos consigo; e que a velhice é o reverso da juventude, tanto quanto a ordem é o reverso da desordem; logo, é um requisito que ele deva alterar seu modo de vida, com relação à quantidade e qualidade do seu alimento e bebida.  Pois é impossível na natureza das coisas, que o homem que tem inclinação por entregar-se ao seu apetite, seja saudável e livre de achaques.  Assim, foi para evitar esse vício e seus efeitos maus, que abracei uma vida sóbria e regrada. Esforcei-me gradualmente por abandonar uma vida desordenada, e adaptar-me a estritas regras temperadas, e assim sucedeu que uma vida sóbria e moderada não era mais desagradável, embora, devido à fraqueza da minha constituição, eu tivesse me amarrado em regras muito estritas relativas à quantidade e qualidade do que comia e bebia. Não achei tarefa fácil, mas não convinha a um homem esmorecer diante de uma tarefa gloriosa e prática, por causa das dificuldades; quanto maiores os obstáculos a serem vencidos, maior a honra e benefício. Nosso beneficente Criador deseja que, como Ele originalmente favoreceu a natureza humana com longevidade, devemos todos aproveitar o pleno benefício das intenções Dele, sabendo que quando um homem passou a idade de setenta anos, ele consegue ficar isento das aspirações sensuais, e governar a si mesmo inteiramente através dos ditames da razão. O vício e a imoralidade então o deixam, e Deus de boa vontade deseja que ele viva até a plena maturidade de seus anos, e ordenou que todos que chegarem a seu termo natural devem terminar seus dias sem doença, mas por mera dissolução, a maneira natural; as rodas da vida parando tranqüilamente, e o homem deixando esse mundo, para entrar na imortalidade, como será meu caso; pois tenho certeza de morrer assim, talvez enquanto canto minhas orações. Tampouco os pensamentos da morte me causam a menor preocupação; e nem qualquer outro pensamento conectado com morte”.

        “Assim, como é bela minha vida! Quão feliz o meu final! Mas ninguém pode ter certeza dessas bênçãos exceto aqueles que aderem às regras da temperança. Essa segurança de vida está alicerçada nas razões boas e certamente naturais, que nunca podem falhar; sendo impossível que aquele que leva uma vida perfeitamente sóbria e temperada, tenha alguma doença, ou morra antes da sua hora.  Antes sim, ele não consegue morrer de má saúde, e sua vida sóbria tem a virtude de remover a causa da doença, e a moléstia não pode ocorrer sem uma causa; causa esta que quando removida, a doença também é removida, e a morte fora de hora e dolorosa é prevenida.

        E não há dúvida, que a temperança no comer e beber, tomando-se apenas o tanto que a natureza realmente requer, sendo assim guiado pela razão, em vez do apetite, tem eficácia para remover toda causa de moléstia; pois como a saúde e doença, vida e morte, dependem na boa e má condição do sangue do homem, e da qualidade de seus humores, uma tal vida como a de que falo purifica o sangue, e corrige todos humores viciosos, tornando tudo perfeito e harmonioso. É verdade, não podemos negar, que o homem deve afinal morrer, por mais cuidadoso que tenha sido consigo mesmo, entretanto eu insisto, sem doença e sem dor; pois no meu caso espero fazer a passagem silenciosa e pacificamente, e minha atual condição me assegura isto, pois embora tenha alcançado esta elevada idade, sou forte e contente, comendo com bom apetite, e dormindo profundamente. Além do mais, todos meus sentidos estão tão bons quanto sempre, e na mais elevada perfeição; minha compreensão clara e inteligente, meu julgamento sensato, minha memória tenaz, meu estado de espírito bom, e minha voz (uma das primeiras coisas que é capaz de nos falhar) se tornou tão forte e sonora, que não posso deixar de cantar alto minhas orações, de manhã e à noite, em vez de sussurrar e murmura-las para mim mesmo como era o costume dantes”. (Uma referência às Comunhões Essênias matinais e vesperais, as quais ele aprendeu a partir das traduções de São Jerônimo).

        “Oh! Como é gloriosa esta minha vida, repleta de todas felicidades que um homem pode gozar deste lado do túmulo! Ela é inteiramente isenta de toda brutalidade sensual, que a idade possibilitou que minha razão banisse; assim não sou perturbado por paixões, e minha mente está calma, e livre de todas perturbações e apreensões duvidosas. Tampouco pode o pensamento da morte encontrar espaço na minha mente, pelo menos não de modo a incomodar-me. E tudo isso se deu, graças à misericórdia de Deus, através do meu cuidadoso hábito de viver.  Quão diferente da vida da maioria dos velhos, cheios de dores e sofrimentos e maus presságios, ao passo que a minha vida é do real prazer, e parece que passo meus dias num perpétuo ciclo de felicidade, como irei demonstrar agora.

        E primeiramente, sirvo ao meu país, e que alegria isso é. Outro grande conforto para mim, é que meu tratado sobre temperança é realmente útil, como muito me asseguram verbalmente, e outros por carta, dizendo que depois de Deus, me devem muito por suas vidas.  Também tenho muita alegria por ser capaz de escrever, e assim sirvo a mim e a outros; e a satisfação que tenho conversando com homens capazes e de compreensão superior é muito grande, sendo que sempre aprendo algo novo. Ora, que conforto isso, que velho como sou, eu seja capaz de, sem fadiga da mente ou corpo, assim estar plenamente ocupado, e estudar os assuntos mais importantes, difíceis e sublimes! (Aqui vemos uma visível influência dos textos de São Jerônimo no monastério de Monte Cassino, concernente à Paz Sétupla dos antigos Essênios).  Devo acrescentar ainda, que nessa idade, pareço desfrutar de duas vidas: uma terrestre, que de fato possuo, a outra celestial, a qual possuo em pensamento; (aqui há forte influência da tradução de São Jerônimo do Evangelho Essênio da Paz, referindo-se aos Reinos da Mãe e Pai Terra) e esse pensamento é verdadeiro desfrute, quando fundamentado sobre coisas que estamos certos de alcançar, e eu, através da infinita bondade do Pai Celestial, tenho certeza da vida eterna. Assim, desfruto da vida terrestre por conseqüência da minha sobriedade e temperança (aqui novamente a influência dos escritos de Jerônimo sobre os Essênios do deserto), e desfruto do celestial, o qual Ele me faz antecipar em pensamento; um pensamento tão vívido, que me fixa inteiramente nesse assunto, cuja fruição tenho por mais do que certa.  E ainda mantenho que, morrer da maneira que espero, não é realmente morte, mas uma passagem para a alma desta vida terrena para uma existência celestial, imortal, e infinitamente perfeita.  E, por conseguinte, desfruto de duas vidas; e o pensamento de terminar essa vida terrena não me dá nenhuma preocupação, pois sei que tenho uma gloriosa e imortal vida diante de mim”.

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Digestão

Mais do que aquilo que ingerimos importa o que digerimos. De nada adianta uma pessoa comer um determinado alimento se ela não o digere. Tudo o que não é digerido é toxico para o organismo. No caso, são as enzimas digestivas que precisam estar presentes e agir sobre aquilo que é ingerido, transformando quase todos os alimentos em outras coisas que poderão ser usadas pelo organismo como energia, como material para a constituição de tecidos e sangue.

Esses produtos vivos chamados enzimas (elas são destruídas em temperaturas acima dos 45 graus Celsius) são produzidos por todo o organismo e pelo pâncreas e aplicados na quantidade e qualidade correta por esse “cérebro” especializado. É sabido que o pâncreas é um dos órgãos cuja falta significa a morte, assim como o coração, o pulmão, o rim, e o pulmão.

Essas enzimas se encontram em quantidade razoável em todos os vegetais frescos e crus. O que deve ser compreendido aqui é que essas enzimas são capazes de agir sobre os alimentos quebrando-os e permitindo que sejam recombinados em componentes vivos do corpo. Isso só é possível porque as enzimas são ativas em relação aos alimentos, que são passivos. Isso quer dizer que os alimentos, em geral, não são absorvidos na forma em que entram. Por exemplo, as proteínas ingeridas são quebradas em suas partes, os aminoácidos e depois reconstruídos em proteínas humanas – se as proteínas ingeridas não forem quebradas elas envenenam o organismo.

Alimentar-se é um ato instintivo, ou deveria ser. É comum que as pessoas comam levadas por seus hábitos sociais, por seus vícios e disfunções. De qualquer maneira, o ato de comer é uma ação pessoal, voluntária, mesmo que determinada por fatores doentios e alheios a verdadeira necessidade fisiológica. Nada lhe força ingerir alimentos, mas o que acontece depois que você os engoliu é totalmente independente de sua vontade. Ou seja, você não pode, do ponto de vista da natureza, ajudar ao organismo a digerir, mas pode, certamente, atrapalhar.

O homem pode ingerir sólidos, os quais deve transformar pela mastigação em pasta e no estômago em líquidos, pode ingerir líquidos, cuja base é a água e um elemento gasoso, o ar. Se por acaso você deixar de respirar, logo a morte acontece e esses elementos que entram pela respiração são essenciais também na digestão. Segundo a sua constituição, o organismo pode ficar semanas sem o alimento físico, dias sem água, poucos minutos sem ar e, de maneira nenhuma vive sem as impressões.

As impressões que entram pelos órgãos dos sentidos são literalmente a corrente que faz o organismo funcionar – o mantem ligado a vida. A morte significa a saída da alma do corpo, ou seja, aquilo que em nós é capaz de sentir.

Não há como duvidar que de todas as energias, em várias condensações, que fazem parte de nossa nutrição, a mais importante são as impressões. Mesmo com o ar, que entra autonomamente, inconscientemente, comandado desde nossas funções orgânicas mais sutis, pode ser relativamente interferida por nós, determinando o ritmo e profundidade da respiração e até a interrompendo voluntariamente por um tempo.

De todos esses alimentos essenciais, as impressões nos chegam impositivamente, sem que possamos escolher, esquivar, impedir sua entrada. Porém, toda a possibilidade de transformação, de evolução está determinada pela recepção e a digestão dessas impressões. Em um homem inculto, natural, não há nenhuma digestão dessas energias em forma de impressões. Porém, tudo começa a mudar no momento em que um homem. Sob influência de ideias que lhe chegam fora da vida cotidiana, aprende a transformar as impressões. Essa digestão das impressões exatamente no seu local e momento de entrada, multiplicam infinitamente o poder natural e extra-natural do homem. Ele começa a ser capaz de pensar, sentir e fazer numa escala que nenhum homem natural pode. Assim como os alimentos físicos precisam ser submetidos a energias mais sutis e poderosas, as enzimas digestivas, também as impressões que entram precisam ser recebidas e digeridas por ideias mais poderosas e evoluídas do que aquelas das próprias impressões, caso contrário, não podem servir como um fator de nutrição para a alma, para os corpos superiores.

Portanto, é fundamental compreender que a vida na terra não pode ser compreendida salvo em termos de uma outra vida, de outro mundo, superior. Não se chega a nada se formos conformistas, se não ousarmos sair do lugar comum. A mente precisa ser mudada, precisamos pensar de um modo novo, a partir de novas ideias. As ideias do mundo, aquelas produzidas pela sociedade, pela ciência, pelas filosofias e crenças nos algemam ainda mais as nossas limitações.

Luigi Cornaro – Guia para a Saúde através da Sobriedade

        “Viver metodicamente sem dúvida é causa certa e fundamento da saúde e vida longa; não, chego mesmo a dizer que é a única verdadeira medicina, e quem quer que pese bem o assunto, irá chegar a essa conclusão. Assim é que, quando o médico vem visitar um paciente, a primeira coisa que prescreve é vida regrada, e para certamente evitar excessos. Ora, se o paciente depois da recuperação continuar a viver assim, não poderia ficar doente novamente, e se uma quantidade muito pequena de comida é suficiente para restaurar-lhe a saúde, então apenas um ligeiro acréscimo é necessário para que a continuação da mesma; e assim, para o futuro, ele nem teria necessidade do médico ou de remédio; tornar-se-ia seu próprio médico, e na verdade, o melhor que poderia ter, já que, de fato, nenhum homem seria um médico perfeito para nenhum outro além de si mesmo. A razão é que, qualquer homem, mediante repetidas experiências, pode adquirir um conhecimento perfeito de sua própria constituição, os tipos de alimento e bebidas que se coadunam melhor a ele. Um homem não pode ter melhor guia que a si mesmo, nem remédio algum melhor que uma vida regrada. Devemos considerar essa vida regrada nosso médico, já que preserva os homens, mesmo aqueles de constituição fraca, com saúde; faz com que vivam saudáveis e fortes, até a idade de cem e mais, e previne que morram de doença.  Estas coisas, entretanto, só são descobertas por alguns poucos, pois os homens em sua maior parte, são sensuais e destemperados, e amam satisfazer seus apetites, e cometer todos excessos; e à guisa de apologia, dizem que preferem viver uma vida curta e de auto-indulgência, a terem uma longa e auto-abnegada, não sabendo que os homens que são mais felizes são os que mantém subjugados seus apetites. Foi isso que descobri, e prefiro viver sobriamente, para que possa viver longamente e ser útil.  Aquele que assim vive não consegue ficar doente, ou apenas raramente, e por pouco tempo, porque mediante a vida regrada, destrói toda semente da doença, e assim removendo a causa, previne o efeito; de maneira que aquele que segue uma vida regrada e estritamente moderada, não precisa temer a moléstia, pois seu sangue tendo se tornado puro, e livre de todos maus humores, não é possível que ele caia doente. Uma vida regrada é tão proveitosa e virtuosa, que deveria ser seguida universalmente.  Se os homens tiverem vontade de viver muito e com saúde, e morrer sem doença do corpo ou mente, mas por mera dissolução, devem submeter-se a uma vida regrada e abstêmia, pois tal vida mantém o sangue limpo e puro”.